segunda-feira, 13 de outubro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 3 ~ KISOU


"Demos nosso melhor e quisemos fazer algo que fosse 'só nosso'. Quisemos fazer um álbum que fosse divertido de tocar ao vivo."
Kaoru em FOOL'S MATE n° 271, 05/2004


Então, enquanto você estava em sua cama, ouvindo "MACABRE" no escuro para reparar nos menores detalhes, você dormiu e sonhou. E quando acordou, estava escutando outra banda.

KISOU
2002
cor
ficção
aprox. 70 min.

Quase que de repente, um dos maiores expoentes do visual kei no final dos anos 1990 mudou da água pro vinho. "KISOU" saiu em janeiro de 2002 e mostrou um DIR EN GREY que subverteu a si mesmo de um disco pro outro. Em outras palavras, chutou o pau da barraca!

Vamos voltar um pouco no tempo para entender o que aconteceu. Mas nem tanto, afinal, você já leu a segunda parte do especial, sobre o "MACABRE", certo? Muito bem...

Quando o single "FILTH" saiu em setembro de 2001, os fãs ouviram um som que tinha lá suas semelhanças com o estilo de "MYAKU" (2000), primeiro single do álbum "MACABRE". Um riff que soa insano (e bem polifônico, na composição dos três instrumentos de corda, aliás) repetido de maneira hipnótica na medida certa, vocais com efeito que parece fazer a voz soar ao contrário, uma puta loucura, mais do que o que se encontrava no "MACABRE". Dois meses depois, sai o single "JESSICA", uma música bem hardcore, uma letra que fala de Sid Vicious e uma banda com uma imagem totalmente diferente e bem atenuada:

Fangirls ficam desesperadas com isso

"Mas o DIR já num tinha feito uma música bem hardcore antes? E num foi justo no 'MACABRE', a tal 'Berry'??" Sim, mas ouça "Berry" de novo. Um vocal tipicamente visual, a bateteria "bate-estacas" também típica de visual noventista agressivo... Vendo por esse ângulo, "JESSICA" parece bem diferente. Os lançamentos de 2001 fecharam com o single "embryo" em dezembro, uma balada de arranjo altamente experimental, com violão inconstante, sítara, bastante sintetizador e tal. E um visual mais atenuado ainda. O cenário ficou muito incerto, praticamente uma bolsa de valores. Ninguém sabia o que esperar do próximo álbum. O DIR havia abandonado o visual kei? Independentemente disso, diferentemente da bolsa, a banda felizmente não despencou. Mas mudou pacas...


"KISOU" abre com "KIGAN", misteriosa, tensa, que no refrão é transformada em algo agressivo e barulhento, com grunhidos típicos de Kyo. Mau sinal pra quem gostava do velho DIR visualzão. Quem enxergou assim não viu sinais melhores pela frente.

"ZOMBOID", parecida com a anterior, mas só com a parte do 'barulhento e agressivo'. "24 KO CYLINDERS", 'balada rock' dissonante, dramática. "Bottom of the death valley" com um calmo solo introdutório de baixo que leva a uma faixa também pesada, só que mais melódica do que as duas primeiras. E "FILTH" e "embryo" no meio de tudo isso.

Uma 'pausa' para uma faixa semi-instrumental eletrônica, "'SHINSOU'", uma daquelas loucurazinhas que vira e mexe nego tasca pra fazer volume e/ou parecer alternativão.

Nesse ponto, já deu pra sacar que DIR EN GREY virou outra banda mesmo! Praticamente sem ter mais -NADA- a ver com o que era há um ano. Mas vamos adiante, até o final, pra poder olhar pro quadro todo.

"GYAKUJOU TANNOU KELOID MILK"... Nome esquisito não era mais novidade pros fãs de DIR, mas essa sonoridade, mais uma vez, sim, era novidade (a despeito de que a música foi lado-b de um dos singles, mas eles lançaram muita coisa inédita como lado-b de single naquela época, então deixa quieto =p). Agitada, com alguns efeitos eletrônicos de fundo e em back-vocais de uso muito diferente do que encontra-se em "MACABRE", desta vez mais agressivo, mas com um certo 'groove'.

"The Domestic Fucker Family" segue a linha que até então apareceu mais no disco, o peso, o barulho. Mas saiba -- importante exclarecer isso -- não temos em geral aqui, nesse disco, guitarras super pesadas e distorcidas, nada que se pareça com metal, nu metal (se você não o considera 'metal de verdade') ou qualquer coisa assim. Entraremos nesses detalhes adiante.

O som dá um giro de 180º em "undecided". Ela não é lenta, pelo contrário, mas seu riff é levado por um violão, até que no refrão entram as guitarras, sempre com uma melodia ponderada. No meio, um solo de violão bonito e relaxante.

A faixa seguinte, "MUSHI", é um número que ficaria marcado na memória dos fãs, tanto a versão em estúdio, quanto a versão ao vivo. Uma balada com violões extremamente melancólica e intensa, onde Kyo exibia uma de suas atuações mais emotivas durante os shows. O 'gran finale' da música é um solo tão simples, mas tão épico.

Mais um rumo diferente para o álbum afrente. A mudança é indicada por mais uma faixa chamada "SHINSOU" (pronuncia igual, um dos dois ideogramas diferentes, significado diferente), com um minuto de uma musiquinha que parece tema de manicômio.

"JESSICA" toca e então começa "KARASU", alternando entre momentos calmos, cheios de efeitos, muito tensos e momentos pesados que, agora sim, lembram (talvez, assim, bem de longe) nu metal.

"PINK KILLER", música seguinte, é a mais agressiva e barulhenta do disco. Muito rápida, cheia de gritos e um riff tão embolado que mal se identifica.

"KISOU" fecha com sua última "SHINSOU", um piano tocado com tranquilidade, embalado por uma batida eletrônica. Praticamente música de elevador.

Então, como é essa nova banda? Harmonia, construção de riffs e estrutura musical mais simples. Mais peso, mais agressão. Alta pluraridade sonora mantida. E uma originalidade sem igual. DIR EN GREY deixou registrado em "KISOU" sonoridades sem precedentes (até onde sei). Pra quem se decepcionou, uma banda morreu. Pra quem gostou, palavras como "inovação" e "evolução" tornaram-se clichês em descrições sobre o grupo. Sem dúvidas, o álbum mais autêntico deles.

Pessoalmente, já foi meu preferido. Hoje em dia, prefiro o "MACABRE" porque sinto que ele é mais viajante, mas ainda acho algumas músicas de "KISOU" ótimas. Com excessão das "SHINSOUS", que tão mais pra gracejos, de "PINK KILLER", que é barulho demais, e de "Bottom of the death valley", que não acho muito cativante, eu diria que todas as outras músicas são de boas pra cima.

Sobre o visual... Como podem perceber pela última imagem, por tabela, o DIR EN GREY não abandonou o visual kei na época. Mas, seguindo a linha do disco, fizeram algo muito, muito diferente do comum na cena. Especialmente Kaoru. Vamos dar uma boa olhada nele:


Acho que a melhor descrição disso é "Mano, que porra é essa????". Eu nunca vi alguém conceber uma imagem tão incomum no mundo da música. A roupa já é detalhada e fora do usual, mas o destaque vai todo pro 'chapéu', que já foi chamado de 'lagosta', 'alienígena', etc. OK, ele mesmo já havia feito algo parecido para as fotos e videoclipe de "FILTH". Mas eu diria que esse visual usado na promoção do "KISOU" foi mais marcante. Incomparável.

Ao vivo, a banda continuava agitada e intensa. Só que desta vez, muito mais descontraída. Vários momentos engraçados podem ser vistos em cenas que documentaram a turnê daquele ano: os integrantes trocando de instrumentos, adentrando o palco com rodos e panos de chão, ameaçando jogar Shinya em cima do público, realizando competição de beber cerveja, etc. E o visual ao vivo foi ficando cada vez mais simples. Chegou a um ponto bem casual em meados do ano (pelo menos em comparação ao que eles sempre usavam):


Em 2002 ainda ocorreu a primeira turnê asiática, a maior da carreira deles, com 82 show e direito a confusões com autoridades chinesas por causa da agitação dos fãs.


O que o DIR EN GREY fez nessa época foi tão original que não foi copiado até hoje. Imagino que a única maneira de fazer algo parecido fosse fazendo um plágio mesmo. Tanto que nem o próprio DIR se manteve. A 'era KISOU' se foi tão rápido quanto veio e o DIR EN GREY mudou de novo.

KISOU

01. KIGAN
02. ZOMBOID
03. 24 KO CYLINDERS
04. FILTH
05. Bottom of the death valley
06. embryo
07. SHINSOU
08. GYAKUJOU TANNOU KELOID MILK
09. The Domestic Fucker Family
10. undecided
11. MUSHI
12. SHINSOU
13. JESSICA
14. KARASU
15. PINK KILLER
16. SHINSOU

Nota: 4,5/5,0

[Ouça]

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Na próxima parte: "VULGAR"!

2 comentários:

Anônimo disse...

Boa resenha Iori, gostei da lagosta na cabeça do Kaoru tb hehehe xD
ganbatte!

iori disse...

Valeu, bicho! =)