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terça-feira, 21 de outubro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 4 ~ VULGAR


Mais de um ano se passou desde o último álbum, "KISOU". Mas, no meio do caminho, ainda em 2002, foi lançado um mini álbum chamado "six Ugly". Nele, DIR EN GREY demonstrou forte influência do nu metal estadunidense, adaptando-o com doses concentradas de loucura herdada do visual kei, o que resultou em alguns momentos imprevisíveis dentro do contexto de simplicidade do disco. Pois é, mesmo assim, o DIR parecia outra banda. Kaoru chegou a comentar em uma entrevista para a FOOL'S MATE (edição 271, maio de 2004) que pensou até em lançar o mini com outro nome de banda, como num projeto paralelo. Mas o grupo acabou por tomar essa direção. Será? Sim, não, mais ou menos? Foi o que pôde ser conferido quando "VULGAR" saiu em setembro de 2003.

VULGAR
2003
cor
ação
aprox. 57 min.

Quando assisti a um documentário da TV Asahi sobre o DIR EN GREY em meados do primeiro semestre de 2003, fiquei empolgado. Cenas de estúdio com rápidas prévias do próximo álbum, que eu tanto aguardara! É de atiçar qualquer fã. Uma coisa eu já tinha sacado pelo programa: ia ser um rockão agitado, pé na porta e soco na cara! E foi!

E mais uma vez teve gente que torceu o nariz. Já havia se tornado um fenômeno natural diante de qualquer lançamento da banda: fãs desgostando e dando menos atenção ao grupo, parando de comprar, etc (repito, fenômeno indicado pelas apurações da Oricon). Desta vez, depois do último mini álbum e dos últimos singles, a reclamação era de que o DIR havia, afinal, se ocidentalizado além da conta. O som havia virado um nu metal, os integrantes haviam abandonado o visual kei... Bom, eu diria 'mais ou menos' para ambas as questões.

Na mesma entrevista para a FOOL'S supracitada, Kaoru revelou que o conceito de "VULGAR" era justamente pegar esse som ocidental pesado e colocar uma melodia japonesa nele. Será que eles conseguiram? Vamos conferir...

O álbum abre com "audience KILLER LOOP", um exemplo muito bom de sua proposta. Começando com um grito e um riff pesado, a faixa tem um tempo médio e intercala momentos agressivos, porém melodiosos, com momentos calmos, tudo num clima obscuro, misterioso, dramático.

O ouvinte então depara-se com duas músicas pesadas e agitadas, sempre com estruturas e riffs simples. "THE IIID EMPIRE" é sim bem nu metal, provavelmente a música mais simples que o DIR ja fez na carreira. O vocal é basicamente gutural. Destaque para o back vocal bem distorcido. Já "INCREASE BLUE" é mais fácil de talvez ser associada a "KISOU", dada a natureza menos comum de sua melodia e os sentimentos insanos trabalhados nela (destaque aqui para o 'solo de voz distorcida' no meio da faixa).

"SHOKUBENI" me lembra Korn. O ritmo, o tempo, os riffs, os efeitos de guitarra, o baixo de cinco cordas... ela no geral. Exceto pela ponte no meio, só com voz, sintetizador e alguns efeitos pra temperar. Uma obscuridade que deu um clima diferente interessante no meio da canção.

"SAJOU NO UTA" surpreende quem pensou que o disco ficaria só em volta destes padrões. É uma música que não tem nada a ver com nu metal. Agitada e leve, as guitarras pouco distorcidas entoam uma harmonia extremamente simples, enquanto o baixo dança na escala. A maior parte da canção usa apenas dois acordes: Am e Am5# (lá menor e lá menor com quinta aumentada -- ou seja, apenas uma nota de diferença entre as três de cada acorde). E Kyo vocaliza uma melodia emotiva com certo drama. A faixa rápida e simples muda um pouco de figura numa ponte no meio do caminho. Surgem novos acordes, a melodia fica mais dramática e um solo bem simples, mas de timbre sugiziano (o que é bem-vindo!), é executado belamente por Kaoru.

A próxima música foi umas das que mais marcou a época entre os fãs. "RED... [em]" retoma o ritmo e a pegada nu metal, mas sua melodia a leva para outro clima. Talvez este tenha justamente sido o motivo dela chamar mais atenção. E o solo de guitarra está entre os de destaque de Die.

"ASUNAKI KOUFUKU, KOENAKI ASU" (consegui lembrar o nome de cabeça!) explora um dos clichês do visual kei: a música agitada estilinho jazz... e na proposta nu metaleira do disco. Na época, foi interessante ouvir o DIR mexendo com isso. Hoje, eu acho que o modelo está bem desgastado. Exemplos de grupos visuais famosos que ajudaram a chegarmos nessa situação são MUCC, SID e, lógico, o maior exemplo de todos, Merry.

"MARMALADE CHAINSAW", da turma de músicas de nomes esquisitos do DIR, assemelha-se um pouco a "RED... [em]" no que diz respeito a ser mas não ser... Seu arranjo lembra o nu metal, mas a melodia faz o clima geral apontar para outra direção. Até chegar no refrão, que é realmente outra história, distanciado-se do estilo ocidentalizado. Mais uma faixa de destaque. Ah! Esqueci de um detalhe nas outras partes do especial, mas esta é uma das músicas que usa o tradicional grito "psy" da cena visual (presumo, imortalizado principalmente pelo próprio DIR). As outras que também o usam são "PINK KILLER" (do "KISOU") e "ZAN" (do "GAUZE").

O lento single "KASUMI" não pede muita explicação. É algo bem dentro da descrição geral do estilo de "VULGAR".

Já "Я TO THE CORE" é uma pegadinha do Mallandro, haaaaaah! A introdução instrumental à la thrash metal esconde um som puramente punk de menos de dois minutos. E sim, o "R" é ao contrário.

"DRAIN AWAY", outro single, é talvez a faixa que mais remeta a alguma coisa antiga da banda. Metade do refrão possui um arranjo mais visual do que o resto da faixa, mais nu metaleiro, alternando entre partes pesadas e versos calmos.

"NEW AGE CULTURE" é curiosa. É pesada como outras músicas do disco, mas o próprio estilo de riff não me soa tanto como nu metal. Os vocais apresentam grunhidos que lembram as lições que Kyo aprendeu com Kiyoharu. Novamente temos um back vocal bem distorcido que chama atenção.

A faixa seguinte é talvez o maior clássico do álbum (será que mais por uma versão polêmica das três do clipe -- fora o PV com imagens ao vivo -- do que pela música em si?). "OBSCURE" novamente lembra Korn pelos seus riffs, efeitos e ritmo, mas desta vez com mais originalidade, mais marcante. Uma ponte que quase lembra thrash/death metal leva a um refrão que vai diretamente ao encontro da idéia do álbum de 'melodizar' esses tipos de som. É realmente uma canção de destaque por si só e por sintetizar bem o conceito de "VULGAR".

"CHILD PREY" pode parecer diferente por ser mais animada do que as outras e em alguns momentos pode lembrar alguns de Slipknot. Mas na verdade temos aqui simplesmente... BALZAC, uma banda japonesa que copia e é amiga dos ocidentais do The Misfits e define seu estilo como "horror punk" ou "zombiecore" (dá pra ter uma idéia?). Ouça qualquer -- QUALQUER -- álbum do BALZAC e eu garanto que você facilmente vai achar alguma(s) música(s) com elementos muito parecidos com alguns de "CHILD PREY". Os coros de "woooooo" principalmente.

Por fim, "AMBER" encerra. É a 'balada' do disco, se é que todo precisa ter uma. Ela é faixa mais calma do álbum, bem melódica, usa pouca distorção e é temperada com alguns efeitos eletrônicos aqui e acolá. Chega a ser bonita. Um belo jeito para terminar "VULGAR".

Sim, DIR EN GREY abraçou o nu metal, mas não é só isso que temos aqui. Outros elementos são evidentemente explorados. E mesmo assim, eu diria que é o nu metal de maior qualidade já feito. Não é excessivamente barulhento, o peso está na medida certa. Tem músicas bem boladas, cativantes, com melodias boas, marcantes.

É certo que a qualidade técnica já não era mais a mesma, devido, até mesmo, ao próprio estilo adotado. Eu diria que, tecnicamente, o DIR estava parecendo a atual bolsa de valores: cheio de altos e baixos consideravelmente oscilantes. Os riffs, fraseados, harmonias e ritmos dos instrumentos de cordas ficaram mais simples. Porém, Shinya procurou explorar novos truques, usou de variações ritmicas maiores do que no álbum anterior e Kyo foi o destaque dos cinco no quesito técnico. Sim, isso mesmo. O baixinho enfesado alcançou seu auge vocal entre 2003 e 2004. As melodias tornaram-se mais difíceis de serem cantadas, os erros tornaram-se menos frequentes e os recursos vocais foram levemente ampliados. Ao canto, grunhidos e gritos pós-Kiyoharu e eventuais sons estranhos, Kyo demonstrou um belo domínio do gutural e do drive (que não é gutural nem grito, é algo mais técnico, como, por exemplo, o que HIZUMI, do D'espairsRay, faz com excelência no refrão de "Marry and blood"). E estas qualidades não apareceram somente em estúdio, sendo mantidas ao vivo.

Não manjo muito de letras, mas nessa época o DIR assumiu o tal conceito de 'dor e sofrimento'. Kyo até chegou a ser creditado como 'profeta' no encarte de "VULGAR". Eu diria que nada disso merece muita atenção.

A arte do disco é simples e eficaz, com muito preto e idéias interessantes para algumas fotos, principalmente a de Die enfiando a mão no peito esburacado de um cara idêntico a ele... (?!)

Uma das promoções do disco foi inédita para a banda. Rolou um concurso de sites sobre o "VULGAR". Até ficou disponível no site oficial do DIR um kit com imagens pra serem usadas. Lembro que nos primeiros lugares ficaram uns realmente bem feitos... Só não lembro do prêmio, mas teve um sim! =p

Os clipes foram meio a meio. O do primeiro single, "Child prey", que saiu ainda em 2002 junto com "six Ugly", é meu preferido da banda. É bem divertido e eu diria que faz uma metáfora de como, mesmo influenciados pelos estadunidenses (no vídeo, seriam os ratinhos que fazem com suas naves um buraco no formato do símolo do Mickey Mouse numa parede), o DIR EN GREY consegue superá-los e fazer algo melhor.



Não vejo graça nos vídeos de "DRAIN AWAY" e "KASUMI", mas "OBSCURE" não deu pano pra manga à toa. As primeiras versões divulgadas eram uma com censura -- onde muitas partes eram quase completamente tapadas por uma escuridão que revelava apenas uma pequena parte quadricular da cena no meio da tela -- e uma sem censura, mostrando a banda tocando em um lugar estranho com corpos pendurados, Kyo vomitando líquidos diversos, uma orgia demoníaca, palhaço, anão, cuspidor de fogo, tudo caminhando para o macabro. OK. Só queeee... mais tarde caiu na rede uma versão do clipe com outra edição. Mostrava também uma mulher que sofreu uma estranha cirurgia, detalhes mais sangrentos da orgia, Kyo com boca de monstro, Shinya com vários braços, Kaoru enfiando uma espada na própria cabeça, Die arrancando o próprio coração e Toshiya 'draculista' transformando-se em um bando de morcegos. Ah, e uma gueixa comendo uma cabeça de bebê colhida num pé de cabeça de bebês. É um vídeo bem apelativo e com vários efeitos especiais de qualidade altamente questionável (mas a cena do Toshiya virando morcegos é muito foda!). Porém, foi um PV divertido pra mim e pra algumas pessoas na época! A versão censurada saiu num DVD bônus do álbum (distribuído pela Sony Entertainment). As versões light e com cenas ao vivo passaram na televisão. E a versão sem censura e mais apelativa só saiu no DVD de clipes "AVERAGE PSYCHO" (distribuído pela FREE-WILL, gravadora dos caras -- creio que a Sony não aceitaria isso nem fodendo).


O visual do grupo estava bem OBSCURO, seguindo o padrão de todo o trabalho, só que mais sóbrio. Todavia, não se podia dizer que a banda havia abandonado o visual kei. É bem evidente que eles ainda tinham um cuidado com a aparência bem maior do que o cuidado que as bandas não visuais têm. Se até Gackt e Waive são visual kei, imagine o DIR nessa época. Por que não seria? Além disso, visual kei não tem necessariamente só a ver com o visual, mas também com todo um contexto.

Tudo foi muito bem até agora, eu diria. Mas o bicho começa a pegar mesmo ao vivo. Quem achou que o DIR EN GREY havia virado outra banda em 2002, ainda não havia visto nada. No DVD de 2004 "TOUR04 THE CODE OF VULGAR[ism]", vemos um DIR bem energético, emotivo, interagindo com o público, etc. Mas nos bônus do próprio DVD, vemos cenas documentadas ao longo da turnê que mostram outra coisa. Com excessão de Kyo e Shinya, os outros instrumentistas ficam muito parados, tocando olhando demais pra baixo, sem ânimo... ao menos em comparação com o que eles faziam. Parece que estão fazendo algo porque precisam ou são obrigados, não porque realmente gostam. Coincidência ou não, depois de "VULGAR" foram extinguidas fotos e vídeos que mostravam a banda sorrindo e se divertindo nos bastidores de shows e outras circunstâncias (clássico de 1999, por exemplo). Outro detalhe chamativo é que nessa época as músicas antigas passaram a ser muito esquecidas pela própria banda.

Kyo teve melhoras e pioras. Suas melhorias vocais previamente aqui descritas se mantiveram ao vivo. Infelizmente, ele deu novos passos no caminho da auto-mutilação. Seu novo truque era esmurrar a própria cara até cuspir sangue. Na verdade, estou pouco me lixando pra saúde mental ou mesmo física do cara, contanto que isso não interfira em seu trabalho musical. Todavia, isso acabou por configurar em um problema pouco tempo depois dessa época de 2003/2004.

Em resumo, DIR EN GREY fez um som que, sob certa ótica, seria inferior ao que eles já haviam feito. Mas certamente eles fizeram em "VULGAR" algo bem feito dentro de sua proposta e também, muito importante, algo diferente. Os fãs que já os acompanhavam há algum tempo já queriam isso mesmo: mudança. Infelizmente, os shows, aparentemente, já não tinham a mesma força.

Mas e aí? O DIR havia definitivamente se ocidentalizado? Este era um processo em andamento. E, embora com certeza não fosse ainda o caso, o quinteto rumava para o caminho da perda total da identidade. O mais triste foi que, talvez não ainda nessa época (eu sei que ainda não explicitamente, ao menos), mas sem dúvidas pouco tempo depois, o DIR desenvolveu uma mentalidade/atitude de aversão, repúdio e negação à música japonesa. Detalhes serão discutidos na sexta e última parte deste especial, mas, por enquanto, observem o que está escrito atualmente no site oficial da banda sobre "VULGAR", na parte da biografia do grupo:

"Setembro: lança o quarto álbum, 'VULGAR'. Sua originalidade e estilo ficam estabelecidos. (...) Comparado ao rock da América (eles querem dizer 'Estados Unidos da América', dãr) DIR EN GREY tinha agora a mesma qualidade e nada menos."
O texto serve de adubo, pois é uma grande merda. Aliás, é parcialmente aproveitável, pois possui verdades e inverdades.

Verdades: O estilo começou a se estabelecer em algo que se estenderia pelo menos por mais dois álbuns e sim, trata-se, de fato, do quarto álbum do grupo.

Inverdades: Nenhuma pessoa sã declararia "VULGAR" ou qualquer coisa que veio depois, por ora, o trabalho mais original do DIR EN GREY; O nível técnico das músicas diminui, assemelhando-se ao de músicas do nu metal -- assim, sob certa ótica, a qualidade do DIR ficou igual à das bandas da 'América' e nada menos, nem muito mais.

No final das contas, a época do "VULGAR" foi parcialmente legal. Mais uma vez num jeito bolsista de ser, o buraco era bem mais embaixo.

VULGAR

01. auciende KILLER LOOP
02. THE IIID EMPIRE
03. INCREASE BLUE
04. SHOKUBENI
05. SAJOU NO UTA
06. RED... [em]
07. ASUNAKI KOUFUKU, KOENAKI ASU
08. MAMALADE CHAINSAW
09. KASUMI
10. Я TO THE CORE
11. DRAIN AWAY
12. NEW AGE CULTURE
13. OBSCURE
14. CHILD PREY
15. AMBER

Nota: 4,0/5,0 ~ Mas não abusa não, hein!

[Ouça]

~

Não perca a penúltima e emocionante parte do especial, a quinta, sobre "Withering to death."!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008


DIR EN GREY: rádio gringa toca som inédito da banda


"RED SOIL", do novo álbum do DIR EN GREY, "UROBOROS", a ser lançado no mês que vem, já foi transmitida por uma rádio estadunidense:

http://www.4shared.com/
file/67624166/cf32fad2
/Red_Soil__Radio_rip_.html


A música tem bastante a ver com o que foi divulgado sobre o disco: mistura de diferentes eras da banda, sons estranhos e tal. O peso não tão metaleiro assim chega a lembrar o álbum "KISOU" (embora a música siga, no geral, um estilo bem diferente do encontrado neste), também remetendo um pouco a trabalhos mais recentes do quinteto, e o clima sombrio pode fazer os de imaginação fértil lembrarem de "MACABRE". Mas, infelizmente, a faixa não impressiona, especialmente pelo refrão xoxo, com vozes distorcidas e muito baixas, com pouca melodia, sobre um riff à la metal muito simples.

O programa que transmitiu a música é, segundo descrição no Orkut, sobre metal. Talvez tenham transmitido-a porque é a música inédita mais pesada do álbum? Assim espero, será interessante se o DIR fizer bem menos barulho dessa vez.

domingo, 19 de outubro de 2008


Resenha/lançamento: NoGoD - Midori no Kaze


Ufa! Depois de muito tempo vou resenhar o single que um leitor me pediu aqui mesmo no blog. Isso aqui tá meio parado ultimamente mesmo, né?

Shinkou Shuukyou Gakudan NoGoD - Midori no Kaze
Single, 08/10

A primeira coisa que reparei quando "Seshuuka", a faixa 1, começou, foi que os timbres de bateria são estranhos. Parece que o cara tá usando um tappleware como caixa. Aproveitando, a mixagem/produção no geral não é lá muito top de linha. Mas tudo bem, é uma banda independente. E a voz do vocal poderia ser melhorzinha, mais ajeitada... Mas o disco não é de se jogar fora.

Quem me pediu esta resenha alegou querer saber a opinião de alguém 'das antigas' (ou seja, alguém que já acompanha, do Brasil, a cena j-rock há uns bons anos, como eu) sobre o single. Eu entendi seu desejo quando ouvi "Seshuuka". Começa com um riff à la metal, a cara dessa banda cujo guitarrista solo usa uma guitarra de sete cordas e leva jeito pra virtuoso. É pesado e tal, mas não de um jeito agressivo, aqui. Só que o refrão de fato remete a um visual kei mais noventista. A malodia, o ritmo e a guitarrinha limpa (que poderia ter sido melhor mixada) junto com a outra distorcida entregam o jogo.

"Dou" soa demasiadamente hardcorística. A essa altura do campeonato, me lembra demais do lado que eu não gosto do alice nine. E vão me desculpar, mas "Tsubasa", amena e moderadamente agitada, também me lembra um pouco alice nine. A música, o arranjo, o jeito do cara cantar... Talvez, na verdade, tenha mais a ver com essas bandas visuais atuais modernosas no geral.

"Seshuuka" é até interessante, mas sua melhor música ser só 'interessante' não é o suficiente hoje em dia, onde qualquer um forma uma banda. O mercado está saturado de razoáveis e mais ou menos. Acho que pra um trabalho musical valer a pena hoje em dia, tem que ser especial. Já ouvi alguma coisa do Shinkou Shuukyou Gakudan NoGoD além deste single, e infelizmente não senti que eles são especiais.

Nota: 2,5/5,0 ~ Por que eles têm que usar um visual tão ridículo? E por que esse nome enorme? Todo mundo chama eles de 'NoGoD' mesmo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 3 ~ KISOU


"Demos nosso melhor e quisemos fazer algo que fosse 'só nosso'. Quisemos fazer um álbum que fosse divertido de tocar ao vivo."
Kaoru em FOOL'S MATE n° 271, 05/2004


Então, enquanto você estava em sua cama, ouvindo "MACABRE" no escuro para reparar nos menores detalhes, você dormiu e sonhou. E quando acordou, estava escutando outra banda.

KISOU
2002
cor
ficção
aprox. 70 min.

Quase que de repente, um dos maiores expoentes do visual kei no final dos anos 1990 mudou da água pro vinho. "KISOU" saiu em janeiro de 2002 e mostrou um DIR EN GREY que subverteu a si mesmo de um disco pro outro. Em outras palavras, chutou o pau da barraca!

Vamos voltar um pouco no tempo para entender o que aconteceu. Mas nem tanto, afinal, você já leu a segunda parte do especial, sobre o "MACABRE", certo? Muito bem...

Quando o single "FILTH" saiu em setembro de 2001, os fãs ouviram um som que tinha lá suas semelhanças com o estilo de "MYAKU" (2000), primeiro single do álbum "MACABRE". Um riff que soa insano (e bem polifônico, na composição dos três instrumentos de corda, aliás) repetido de maneira hipnótica na medida certa, vocais com efeito que parece fazer a voz soar ao contrário, uma puta loucura, mais do que o que se encontrava no "MACABRE". Dois meses depois, sai o single "JESSICA", uma música bem hardcore, uma letra que fala de Sid Vicious e uma banda com uma imagem totalmente diferente e bem atenuada:

Fangirls ficam desesperadas com isso

"Mas o DIR já num tinha feito uma música bem hardcore antes? E num foi justo no 'MACABRE', a tal 'Berry'??" Sim, mas ouça "Berry" de novo. Um vocal tipicamente visual, a bateteria "bate-estacas" também típica de visual noventista agressivo... Vendo por esse ângulo, "JESSICA" parece bem diferente. Os lançamentos de 2001 fecharam com o single "embryo" em dezembro, uma balada de arranjo altamente experimental, com violão inconstante, sítara, bastante sintetizador e tal. E um visual mais atenuado ainda. O cenário ficou muito incerto, praticamente uma bolsa de valores. Ninguém sabia o que esperar do próximo álbum. O DIR havia abandonado o visual kei? Independentemente disso, diferentemente da bolsa, a banda felizmente não despencou. Mas mudou pacas...


"KISOU" abre com "KIGAN", misteriosa, tensa, que no refrão é transformada em algo agressivo e barulhento, com grunhidos típicos de Kyo. Mau sinal pra quem gostava do velho DIR visualzão. Quem enxergou assim não viu sinais melhores pela frente.

"ZOMBOID", parecida com a anterior, mas só com a parte do 'barulhento e agressivo'. "24 KO CYLINDERS", 'balada rock' dissonante, dramática. "Bottom of the death valley" com um calmo solo introdutório de baixo que leva a uma faixa também pesada, só que mais melódica do que as duas primeiras. E "FILTH" e "embryo" no meio de tudo isso.

Uma 'pausa' para uma faixa semi-instrumental eletrônica, "'SHINSOU'", uma daquelas loucurazinhas que vira e mexe nego tasca pra fazer volume e/ou parecer alternativão.

Nesse ponto, já deu pra sacar que DIR EN GREY virou outra banda mesmo! Praticamente sem ter mais -NADA- a ver com o que era há um ano. Mas vamos adiante, até o final, pra poder olhar pro quadro todo.

"GYAKUJOU TANNOU KELOID MILK"... Nome esquisito não era mais novidade pros fãs de DIR, mas essa sonoridade, mais uma vez, sim, era novidade (a despeito de que a música foi lado-b de um dos singles, mas eles lançaram muita coisa inédita como lado-b de single naquela época, então deixa quieto =p). Agitada, com alguns efeitos eletrônicos de fundo e em back-vocais de uso muito diferente do que encontra-se em "MACABRE", desta vez mais agressivo, mas com um certo 'groove'.

"The Domestic Fucker Family" segue a linha que até então apareceu mais no disco, o peso, o barulho. Mas saiba -- importante exclarecer isso -- não temos em geral aqui, nesse disco, guitarras super pesadas e distorcidas, nada que se pareça com metal, nu metal (se você não o considera 'metal de verdade') ou qualquer coisa assim. Entraremos nesses detalhes adiante.

O som dá um giro de 180º em "undecided". Ela não é lenta, pelo contrário, mas seu riff é levado por um violão, até que no refrão entram as guitarras, sempre com uma melodia ponderada. No meio, um solo de violão bonito e relaxante.

A faixa seguinte, "MUSHI", é um número que ficaria marcado na memória dos fãs, tanto a versão em estúdio, quanto a versão ao vivo. Uma balada com violões extremamente melancólica e intensa, onde Kyo exibia uma de suas atuações mais emotivas durante os shows. O 'gran finale' da música é um solo tão simples, mas tão épico.

Mais um rumo diferente para o álbum afrente. A mudança é indicada por mais uma faixa chamada "SHINSOU" (pronuncia igual, um dos dois ideogramas diferentes, significado diferente), com um minuto de uma musiquinha que parece tema de manicômio.

"JESSICA" toca e então começa "KARASU", alternando entre momentos calmos, cheios de efeitos, muito tensos e momentos pesados que, agora sim, lembram (talvez, assim, bem de longe) nu metal.

"PINK KILLER", música seguinte, é a mais agressiva e barulhenta do disco. Muito rápida, cheia de gritos e um riff tão embolado que mal se identifica.

"KISOU" fecha com sua última "SHINSOU", um piano tocado com tranquilidade, embalado por uma batida eletrônica. Praticamente música de elevador.

Então, como é essa nova banda? Harmonia, construção de riffs e estrutura musical mais simples. Mais peso, mais agressão. Alta pluraridade sonora mantida. E uma originalidade sem igual. DIR EN GREY deixou registrado em "KISOU" sonoridades sem precedentes (até onde sei). Pra quem se decepcionou, uma banda morreu. Pra quem gostou, palavras como "inovação" e "evolução" tornaram-se clichês em descrições sobre o grupo. Sem dúvidas, o álbum mais autêntico deles.

Pessoalmente, já foi meu preferido. Hoje em dia, prefiro o "MACABRE" porque sinto que ele é mais viajante, mas ainda acho algumas músicas de "KISOU" ótimas. Com excessão das "SHINSOUS", que tão mais pra gracejos, de "PINK KILLER", que é barulho demais, e de "Bottom of the death valley", que não acho muito cativante, eu diria que todas as outras músicas são de boas pra cima.

Sobre o visual... Como podem perceber pela última imagem, por tabela, o DIR EN GREY não abandonou o visual kei na época. Mas, seguindo a linha do disco, fizeram algo muito, muito diferente do comum na cena. Especialmente Kaoru. Vamos dar uma boa olhada nele:


Acho que a melhor descrição disso é "Mano, que porra é essa????". Eu nunca vi alguém conceber uma imagem tão incomum no mundo da música. A roupa já é detalhada e fora do usual, mas o destaque vai todo pro 'chapéu', que já foi chamado de 'lagosta', 'alienígena', etc. OK, ele mesmo já havia feito algo parecido para as fotos e videoclipe de "FILTH". Mas eu diria que esse visual usado na promoção do "KISOU" foi mais marcante. Incomparável.

Ao vivo, a banda continuava agitada e intensa. Só que desta vez, muito mais descontraída. Vários momentos engraçados podem ser vistos em cenas que documentaram a turnê daquele ano: os integrantes trocando de instrumentos, adentrando o palco com rodos e panos de chão, ameaçando jogar Shinya em cima do público, realizando competição de beber cerveja, etc. E o visual ao vivo foi ficando cada vez mais simples. Chegou a um ponto bem casual em meados do ano (pelo menos em comparação ao que eles sempre usavam):


Em 2002 ainda ocorreu a primeira turnê asiática, a maior da carreira deles, com 82 show e direito a confusões com autoridades chinesas por causa da agitação dos fãs.


O que o DIR EN GREY fez nessa época foi tão original que não foi copiado até hoje. Imagino que a única maneira de fazer algo parecido fosse fazendo um plágio mesmo. Tanto que nem o próprio DIR se manteve. A 'era KISOU' se foi tão rápido quanto veio e o DIR EN GREY mudou de novo.

KISOU

01. KIGAN
02. ZOMBOID
03. 24 KO CYLINDERS
04. FILTH
05. Bottom of the death valley
06. embryo
07. SHINSOU
08. GYAKUJOU TANNOU KELOID MILK
09. The Domestic Fucker Family
10. undecided
11. MUSHI
12. SHINSOU
13. JESSICA
14. KARASU
15. PINK KILLER
16. SHINSOU

Nota: 4,5/5,0

[Ouça]

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Na próxima parte: "VULGAR"!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008


Resenhas INORAN: o novo e o não tão novo com velhos


Analisando as últimas do INORAN, ex-guitarra do LUNA SEA e atual guitarra do Tourbillon e solo!

apocalypse
09/2008

Basicamente, temos aqui um estilo um tanto quanto ocidentalizado, agitado, "alternativesco", com uma penca de efeitos frequentemente usados como bastante reverb e delay, scrachs, efeitos eletrônicos DJ-zísticos e vozes, etc. É até interessante, bem produzido... Os arranjos são bons também. E INORAN está definitivamente cantando melhor do que em alguns trabalhos anteriores. O grande problema é que ele parece o Kiyoharu, ao menos neste disco: desenvolve um estilo com certa autenticidade, com um quê alternativo, o que é bom até o momento em que esse estilo é desgastando pelo próprio artista.

A primeira metade de "apocalypse" chega a ser enjoativa. Na segunda, encontramos exceções como "Hydrangea" -- faixa pouco empolgante que parece misturar música medieval com batida de "R&B de MTV" -- e "9th", um pop rock agradável. E talvez, se você não for tão exigente, "SENNEKA" e "Regret", versões mais acústicas da sonoridade-chave do disco.

Nota: 2,5/5,0 ~ Este post não é tão pessimista! Continue lendo! =D

[Compre "apocalypse" no CD Japan!]

~

THE BEST
01/2008

INORAN aproveitou o tremendo bafafá do show do LUNA SEA no ano passado para lançar esta coletânea, sua primeira. Cara esperto.

Uma característica: as músicas, no geral, não são tão agitadas quanto em "apocalypse".

Uma vantagem: há mais versatilidade sonora. Mas isso não é esperado de uma coletânea que abrange quatro álbuns de estúdio? Sim, mas vou esmiuçar adiante =)

Uma desvantagem: a capacidade vocal de INORAN não é tão boa quanto no último álbum.

É uma coletânea divertida de se ouvir. Faixas como "Spirit" e "Felicidad" são bonitas, cheias de efeitos e te deixam num ambiente viajante. Baladas belas e cativantes como "Walk along", "Toki no Iro" e "Come closer" também estão presentes, transparecendo musicalidade provavelmente remanescente dos tempos de LUNA SEA, mas sem deixar de demonstrar uma certa inoranidade (essa foi foda...). Há também momentos de maior obscuridade e mistério em "Can you hear it?" e "Sou", bem como momentos mais ocidentalizados 'alternativescos' em "raize" e "identity", que poderia ser uma música do FAKE? (isto é uma afirmação, o nome da banda é assim mesmo, com interrogação no fim =p).

É um disco agradável de se ouvir. E sim, espera-se sempre maior variação sonora em uma coletânea do que em um álbum de estúdio de alguém. Mas entre as faixas de "THE BEST", é fácil observar elementos em comum. A variação está lá, mas a unidade é muito grande, tudo pode ser facilmente visto como um único estilo. Algo sempre muito mais interessante do que a repetitividade de "apocalypse".

Pode parecer meio óbvio, mas talvez seja mais como a confirmação de uma "verdade universal": se você vai começar a ouvir INORAN solo, comece por "THE BEST".

Nota: 4,0/5,0 ~ Só senti falta de "not a serious wound" e seu baixo magnífico!

[Compre "THE BEST" no CD Japan!]

~

Agora, observem essa carinha:


Vocês conseguem imaginar este ser humano usando um ~BIGODE~??? Então, assista o clipe a seguir (quase não acreditei):

Determine


terça-feira, 7 de outubro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 2 ~ MACABRE


"Tínhamos esse conceito (...) quando ouvissem a música, uma incrível imagem surgiria."
Kaoru em FOOL'S MATE n. 271 (maio/2004)

MACABRE
2000
cor
cult
aprox. 75 min.

Se você quer realmente ouvir um disco e perceber seus menores nuances, até onde sua capacidade auditiva lhe permitir, eu recomendo que você use um fone de ouvido muito bom (confesso que não entendo dos de concha, mas dos auriculares eu diria que o da Apple é, de longe, o melhor) e escute o som na calada da noite, sozinho em seu quarto escuro. Dependendo de que disco você escolher, você vai começar a descobrir sons que você não sabia que estavam lá. E talvez o melhor disco para fazer isso seja "MACABRE".

Kiyoharu, SUGIZO, Mana... e... digamos "Gackt", só pra não perder o costume... e, por fim, um profissional S&M

"MACABRE" só não foi o primeiro álbum totalmente produzido pelo DIR EN GREY porque meras duas músicas, os dois primeiros singles, não foram produzidos por eles. Mas saiba, a influência de YOSHIKI já não mais reinava aqui. Este álbum faz jus ao nome. As músicas e a produção, no geral, passam a idéia de algo sórdido e... macabro. O título é perfeito, na verdade. Tão simples e tão eficaz.

A produção é a grande razão de fazer deste álbum algo tão bom de se ouvir com atenção especial. O disco é recheado de efeitos e sintetizadores. Mas por incrível que pareça, apesar da grande quantidade, foi tudo muito bem dosado e em momentos totalmente apropriados.

DIR EN GREY foi ainda além. Apesar de permanecer a evidente influência de seus heróis do visual kei (vide parte 1), o grupo utilizou algumas sonoridades antes nunca usadas (ao menos do jeito que encontra-se no álbum) no movimento. O exemplo que mais se destaca é o experimentalismo com um puta cheiro de rock progressivo das faixas "MACABRE -SANAGI NO YUME WO AGEHA NO HANE-" e "ZAKURO". A primeira tem 10 minutos cheios de acordes dissonantes, polifonia com três guitarras e violão e baixo rolando ao mesmo tempo, um monte de efeitos e melodia que definem muito bem tudo que eu descrevi sobre o álbum até então. A parte instrumental do meio da música deixa tudo mais calmo para, soturna e gradualmente, crescer e tornar-se cada vez mais tensa. Já "ZAKURO" é de uma delicadeza, beleza e melancolia tais que culminam no que só poderia ser um dos números mais tocantes do DIR EN GREY ao vivo de todos os tempos.

Falando em beleza, "HOTARUBI" é outra "balada" do álbum que chama muita atenção. Fica meio agitadinha depois do primeiro verso, mas o arranjo singelo guiado em boa parte por um violino sutil são de arrepiar. Talvez, aliás, não tanto quanto o esquisitíssimo e inesperado zumbido de cerca de 5 segundos, pendendo mais para um dos falantes estéreis, que começa mais ou menos a 3'20''. Será que eles fizeram isso sóbrios???

"WAKE" em seu jeito LUNA SEA de ser, a hardcoresca "Berry", a relaxante (?) "audrey" e a metaleira "RASETSUKOKU" são mais "direto ao ponto". Aliás, interessante observar que a sonoridade de "RASETSUKOKU" é uma das que ainda não havia sido explorada por bandas visuais até então. "Hydra", outro clássico ao vivo, mexe também um pouco com isso, usando ainda alguns samplers eletrônicos e, claro, o célebre canto gregoriano!

O mais estranho de "egnirys cimredopyh +) an injection" é... sim, seu nome (tente ler ao contrário). Mas o som não fica muito atrás. Tem um riff hipnotizante e macabro (a palavra mágica de novo sendo a melhor descrição). Mas riff hipnotizante viria a ser uma especialidade do DIR. E essa história começou com "MYAKU", o primeiro single de "MACABRE". A música tem alguns riffs nesse estilo, muito interessantes e grudentos. Não obstante, ela passa por uma série de mudanças de tempos... 3/4, 5/4, 4/4... Todas muito bem boladas e bem encaixadas. O tipo de coisa que NÃO me parece ter ocorrido por mero acaso (cagada durante um ensaio, por exemplo). E "[KR] cube"? Outra com um riff daqueles, bem maluquinho. No geral, ela pode não parecer tão inovadora, a princípio. Mas, na verdade, em sete anos de pesquisa sobre rock japonês, nunca achei nada parecido com ela (nem no resto do mundo, aliás). Desse álbum, a última dos riffs doidos e apropriados para lavagem cerebral é "Deity". Quer dizer, última a ser citada, mas a primeira do disco (isso porque sou uma pessoa extremamente organizada). Começa com cerca de dois minutos de um repetitivo sampler de vozes de monstros que faz você imaginar-se num tipo de inferno. Mas isto na verdade é legal, pra dar um clima. Não fica algo chato, principalmente depois que você já está acostumado com a música. Quando a tal começa de fato, revela-se a mais metal que o DIR já havia feito até então, mas sem deixar de lado um toque legal de harmonização e melodia. Com o detalhe da letra em russo.

O álbum fecha com "TAIYOU NO AO", pra terminar light, pouca distorção e tal. Acho que trechos como o de batida meio bossa a 2'55'' fizeram um chegado comparar a música a música brasileira. Sinceramente, nunca achei muita graça nela. Destoa bem do resto do álbum, mas bem, é um álbum visual noventista. Variação é de lei aqui! Eu diria, sem medo de errar, que "MACABRE" é um dos melhores álbuns de rock já feitos.

E o pior é que eu poderia dizer o mesmo sobre a arte do disco. Super trabalhada. Por exemplo (não reparem no fundo):

As esferas são de madeira e ficam soltas

O desenho da parte da frente tem um leve alto-relevo

O visual possuía a excentricidade que a banda sempre usara até então, só que, na ocasião, apresentado de maneira apropriadamente mais obscura. Eu diria que ficou ainda melhor. Algumas das marcas visuais registradas da banda foram ainda mais reforçadas nessa época, como as cores de cabelo de Die, Kaoru e Kyo.

Os videoclipes, tal como o som, também evoluíram muito e começaram a se tornar algo especial na carreira da banda. A despeito do simples emaranhado de luzes de "TAIYOU NO AO", "MYAKU" mostra uma história bem macabra (de novo a palavrinha!!!!!) e efeitos como os membros da banda saindo da parede, enquanto a pérola "[KR] cube" apresenta-nos a uma história gangsterística com uma edição incomum e muito boa.

Para finalizar o resumo dessa era sem igual para o DIR EN GREY... os shows! Ah, os shows... Infelizmente, nunca pudemos ver um completo da época. Em vez disso, foi lançado em DVD um documentário da turnê do álbum, que rolou entre 2000 e 2001. Em meio a um cenário sempre super-produzido (que melhor pode ser descrito com a maldita palavrinha mágica), a banda estava mais animada e performática do que nunca.

"TOUR 00-01 MACABRE"

Pena não podermos presenciar como ocorreu na época mesmo o momento encantador que era o número da música "MACABRE". O grupo começava o show com ela, tocando atrás de uma cortina que mostrava apenas as silhuetas gigantes dos músicos, projetadas com holofotes no fundo do palco. Então, no meio da música, naquele trecho instrumental tenso e crescente, a cortina levanta-se bem na hora que começa o solo de guitarra. Espetacular. Ao menos, podemos conferir o número memorável na filmagem do show não tão impactante, mas ainda bom, do terceiro dia do "BLITZ 5DAYS". (YouTube)

Interações dos membros entre si e com a platéia, comemorações de aniversários dos membros no meio das apresentações, toda a animação que já rolava parece ter rolado ainda mais nessa turnê. E Kyo começou a cuspir sangue falso, quebrar ovos na cara e se arranhar um pouco. Isso ainda era legal na época. Só um detalhe -- o final da turnê foi no Nippon Budokan, primeira segunda vez que o DIR tocou lá (e a última durante uns bons anos, fato talvez explicado pela progressiva queda de vendas):


Certamente tempos especiais para a banda, para o visual kei e até mesmo para o j-rock em geral. Mas muita água ainda iria rolar!

MACABRE

01. Deity
02. MYAKU
03. WAKE
04. egnirys cimredopyh +) an injection
05. Hydra
06. HOTARUBI
07. [KR] cube
08. Berry
09. MACABRE -SANAGI NO YUME WO AGEHA NO HANE-
10. audrey
11. RASETSUKOKU
12. ZAKURO
13. TAIYOU NO AO

Nota: 4,5/5,0 ~ Imperdível! Mesmo!

[ouça]

[compre no CD Japan]

Confira a seguir a parte 3, sobre o álbum "KISOU"!

PS: Neste blog (o mesmo da primeira parte) achei um artigo muito grande e muito, muito legal. É uma resenha sobre o livro de partituras do "MACABRE". Vale muito a pena ler, pra quem sabe inglês!

terça-feira, 30 de setembro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 1 ~ GAUZE


O álbum novo do DIR EN GREY, "UROBOROS", está chegando aí. Então, resolvi falar um pouco sobre os álbuns anteriores a título de retrospectiva. É aquele velho papo de professor: pra entender o presente, temos que entender o passado. Álbum a álbum, vamos dar uma olhada na tragetória do quinteto de Kansai. Se fôssemos falar do BUCK-TICK, isso seria loooooooooooooongo, mas como é o DIR e estamos em 2008, vai ser de boa!

GAUZE
1999
cor
drama
aprox. 65 min.

Alguns consideram "GAUZE" a obra-prima da banda. Eu não gosto tanto dele, porque o conheci junto com os dois álbuns seguintes, que acho bem mais artisticamente pertinentes. Mas isso é assunto para adiante...

Quando o DIR EN GREY começou em 1997, musicalmente eles eram praticamente mais uma banda pós-Kuroyume (durante seu primeiro mês de vida, o DIR se chamava DEATH MASK, em alusão a uma música do Kuroyume). Quem os visse na época poderia pensar que eles eram só mais uma bandeca visual à toa. Só que, em 1998, eles venderam o segundo single, "-I'll-", tremendamente bem para uma bandeca, conseguindo aparecer em 7º lugar no ranking semanal da Oricon. Um feito raro até mesmo para os padrões atuais. O resultado foi um contrato major com a EAST WEST JAPAN, do grupo Warner. Curiosamente, cinco singles depois, eles lançaram o álbum "GAUZE" pelo selo independente FREE-WILL, onde permanecem como banda major (leia-se: "galinha dos ovos de ouro") até hoje.

DIR EN GREY, na época que se escrevia "Dir en grey"

O maior sucesso comercial do grupo foi co-produzido por YOSHIKI. Ao que parece, pelos créditos do encarte do disco, o cinco singles (metade do álbum) passaram pelas mãos do produtor, empreendedor e ditador YOSHIKI. A orquestrinha no arranjo de "Cage" não deixa dúvidas disto.

Aliás, "Cage" e outro single, "YOKAN", são duas das faixas mais prestigiadas de "GAUZE". Injustamente, eu diria. O álbum tem trabalhos mais impressivos. "raison dentre" e seu título escrito num francês semi-analfabeto dá um ar novo à musicalidade visual kei com seu toque eletrônico, a despeito do início de carreira do DIE IN CRIES. "mazohyst of decadence", embora não seja a coisa mais criativa do mundo (vide adiante), procura trabalhar com uma estrutura mais intensa, algo não muito comum no movimento. Assim como a dramática "304 GOUSHITSU, HAKUSHI NO SAKURA", "Schwein NO ISU" tem uma melodia cativante, só que trabalha com a agressividade (e de uma maneira muito bem dosada).

Shinya disse em uma entrevista que a gaze ("gauze", em inglês) era algo bonito que cobria algo feio (uma ferida). Anos mais tarde, a simbologia do nome do álbum nunca pareceu tão clara.

O mais interessante de "GAUZE" é que ele é um grande resumo do que aconteceu no visual kei até 1999. Em sua variedade, o disco não chega a mostrar tudo, mas apresenta boa parte do que havia sido desenvolvido musical e até visualmente no movimento até então. Bom... no fundo, acho que o DIR EN GREY era mais uma mistura de Kuroyume e LUNA SEA, com um maior apelo visual (o que viria a mudar). Observe o infográfico comparativo abaixo:

Clique para ampliar =)

Só que eu diria que logo em "MACABRE" (2000) eles já conseguiram desenvolver sonoridades mais originais (mais sobre isso na próxima parte do especial).

Falando em apelo visual, o do DIR era especial. Não façam piadinhas sexuais, mas todos os integrantes eram bonitos. E nessa época específica, era como se cada um tinha uma cor de cabelo determinada que o identificasse. Die: vermelho; Kaoru: rosa/roxo; Toshiya: azul; Shinya: castanho... Kyo estava com o dele tingido de vermelho/vinho, mas logo consagrou-se com o loiro intenso. As indumentárias ainda contavam com algo a mais... ou melhor, a menos. Um pouco menos de tecido. Mostravam um pouco mais o corpo dos integrantes em comparação com as roupas normalmente usadas por bandas visuais noventistas:

Não dá pra ver, mas Shinya está de saia e Kaoru ainda tinha a "opção" sem a blusa transparente por cima, revelando um tipo de "tomara que caia".

É um visual muito bem feito, na verdade. E na época tinha um impacto forte, ainda, creio. No Ocidente, certamente tinha.

Não obstante, DIR EN GREY investia ainda mais no visual via outro meio: o videoclipe. Todas as faixas de "GAUZE" ganharam um clipe num VHS/DVD. É certo que a maioria desses clipes seguiam o padrão visual kei: pouca criatividade, sendo o grande chamariz o próprio visual da banda. Mas chamar creio que a atenção para seu visual tenha sido justamente o propósito da coisa.

Apesar de tudo isso, o DIR EN GREY tomou rumos diferentes. Em vez do sucesso certo de músicas manjadas e aparência multicoloridamente (?!?!) apelativa, a banda, aos poucos, louvadamente seguiu caminhos mais ousado. É o que veremos em breve, nas resenhas dos álbuns seguintes.

GAUZE*

01. GAUZE -mode of adam-
02. Schwein NO ISU
03. YURAMEKI
04. raison dentre
05. 304 GOUSHITSU, HAKUSHI NO SAKURA
06. Cage
07. TSUMI TO BATSU
08. mazohyst of decadence
09. YOKAN
10. MASK
11. ZAN
12. AKURO NO OKA
13. GAUZE -mode of eve-

* = Romanizações/grafias de acordo com as fornecidas no site oficial em 2007 (atualmente não se encontra), a despeito do que pode ser encontrado no link fornecido.

Nota: 3,5/5,0

COMPRE!

PS: Pra quem mexe com música... Acabo de achar uma tradução para o inglês de um artigo do livro de partituras do "GAUZE". Você sabia que Kaoru alugou duas Les Pauls e uma Jaguar para gravar algumas músicas como "Schwein NO ISU"?


La'cryma Christi no Imeem.com


HIRO (gu), KOJI (gu), TAKA (vo), SHUSE (bai), LEVIN (bat)

Quando percebi que uma das poucas bandas que moram no meu coração não tinha um playlist no Imeem.com, resolvi criar um. O La'cryma merece. Afinal, é uma das melhores bandas visuais dos anos 90. Aliás, não, de todos os tempos. "Descobertos" pelos caras do LUNA SEA, o estilo deles é autêntico e muito bem trabalhado. Minhas partes favoritas são as melodias e as linhas de guitarra =)

Selecionei as seguintes músicas, dentro do limite do que já estava apado no site:

01. Mirai Kouro
Single (1998), Lhasa (1998)
Uma de boinha pra começar. Lembro que, pelo papo que eu levava com uns conhecidos há alguns anos, essa era uma música que chamava bastante anteção de quem não conhecia bem a banda.

02. Vampire Circus
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Agitadinha e muito bonita, uma das mais marcantes faixas do que considero o melhor álbum deles (e o último bom).

03. IN FOREST
Single (1998)
Gozado, o verso é muito diferente do que me lembro de ouvir no álbum. O arranjo, no geral, também. Acho que fiquei muito tempo sem escutar La'cryma. Essa já começa a agitar um pouco mais as coisas. Seguindo a lista até aqui, já dá pra sacar que a variedade dos caras era boa. Característica que hoje em dia, aparente e infelizmente, virou noventista no meio visual.

04. Ivory Trees
Single (1997), Sculpture of Time (1997)
O clima agitado continua, desta vez mais feliz.

05. Henseifuu
Sculpture of Time (1997)
Tudo muda radicalmente aqui. A balada dramática a meio tempo cria uma atmosfera tensa. Tudo muito bem construído sempre por um arranjo bem elaborado. Refrão encantador. Engraçado que a música está no "Singles Collection" (2000) apesar de nunca ter sido o lado-a de um single.

06. THE SCENT
Single (1997), Sculpture of Time (1997)
Uma rápida introdução meio caipira estadunidense (ou "country", se você preferir) leva ao estilo rápido e feliz que você já deve ter sacado que é a cara da banda. Mas não se deixe enganar, você já vai ter a chance de descobrir que o La'cryma vai além e também tem um lado mais agressivo a mostrar...

07. Lhasa (unplugged)
Single (1998)
... Mas não agora, como o título sugere =) Bem baladinha relax mesmo, mesmo com a voz aguda do TAKA.

08. Jounetsu no Kaze
Single (?), &・U (2002)
Agora a coisa muda bastante. Um som com influências hispânicas! E uma recomendação pra quem gosta de clipe com historinha. Mas não pra quem gosta de um clipe muito bem feito =p (Digamos que o forte dos caras mesmo é a música...)

09. Blossom
Single (2002), magic theatre (2000)
Esses caras nasceram fazendo música bonita! Fala sério! A ponte combinada com o refrão são demais. O solo é primoroso -- é assim que se faz, algo belo, e não com notas na velocidade da luz.

10. Eien
Single (1999)
Depois dessa, eu ousaria dizer que La'cryma Cristi, no mínimo, compete com X JAPAN para o título de banda mais romântica do visual kei (considerando que GLAY e L'Arc~en~Ciel começaram/têm alguma coisa a ver com o movimento, mas distanciaram-se rapidamente e muito do mesmo).

11. Angolmois
Sculpture of Time (1997)
Poxa, como tem música desse álbum no Imeem. Ah, bem lembrado, o La'cryma também tem um leve lado experimental. Eu diria que o início dessa música lembra algo de rock progressivo... mas só lembra, vagamente. E já estamos um pouco mais pesados aqui.

12. Sanskrit Shower
Sculpture of Time (1997)
Daquele álbum de novo... Sim, ele é muito bom mesmo. Mais uma faixa diferente, pra quem tava achando a lista muito melosa.

13. Simply Red
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Não, não tem nada a ver com a banda ocidental. Uma balada quase hard rock, sabe, porque ela tá tão calminha, só na voz e piano, daí entra guitarra e tal e o refrão dá uma pancadinha!

14. Yuki ni Natte Kieta Futai
magic theatre (2000)
E cá estamos mais uma vez com um descontraído pop rock.

15. HAVEN
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Sempre me senti nas núvens ouvindo esse som... Um 'gran finale' original por ser tão singelo. Cara, tinha uma época que eu ouvia esse álbum aos sábados, quando ia pra facul de dia... Ele é maravilhoso e me faz lembrar do tempo de sol ameno daquelas manhãs =)

Faltaram:
Warm Snow
Without You <3
SHY <3
GROOVE WEAPON <3
Israel (diferentona e estranha -- interessante!)
Heart&Soul

Os caras hoje em dia...

KOJI: Foi o primeiro a sair, em meio ao início da decadência musical deles (2004). Chegou a tocar no Creature Creature e atualmente está no ALvino com o ex-PIERROT Jun.
HIRO e TAKA: Formaram uma dupla chamada Libraian. O estilo musical lembr ao velho La'cryma, mas as primeiras músicas não foram nada empolgantes. Mas eles continuam na ativa, já lançaram até um álbum... Quem sabe vale a pena ouvir...
SHUSE: Toca com yasu (Janne Da Arc) no Acid Black Cherry.
LEVIN: Toca com TOSHI (X JAPAN) no TOSHI with T-EARTH.

La'cryma Christi no CD Japan

www.lacrymachristi.jp
www.libraian.jp

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


DIR EN GREY - GLASS SKIN (ao vivo no Music Japan)


Depois de muito tempo, coisa de uns cinco, seis anos, DIR EN GREY apareceu novamente em um programa de TV desses que vão várias bandas tocar, com apenas o vocal sendo ao vivo, o instrumental sendo playback editado pra ficar menor. No caso, o Music Japan, do canal NHK, da última semana.

A primeira coisa que observei foi a confirmação da minha previsão. Kyo desafina logo no primeiro verso e mantém o padrão até o final do vídeo. Realmente, ele estragou sua voz, nunca mais será o mesmo, ao que parece.

Toshiya providenciou o penteado mais ridículo da música major japonesa de todos os tempos. Meus parabéns! =D

Pontos interessantes: Kyo e Kaoru vestiram-se de um jeito que lembra o DIR EN GREY de 2003, da época do "BLITZ 5DAYS", quando a banda ainda era uma banda, apenas com um provável embrião do desastre que se tornou. Mas eu diria que, logicamente, o fato dos dois usarem uma roupa que lembre uma época não quer dizer nada.

Pra quem tem tempo de sobra:



Grato ao Kaoru (usuário) pelo link!

"GLASS SKIN" no CD Japan

sábado, 20 de setembro de 2008


Versailles vai salvar a princesa do dragão


Versailles - NOBLE
Álbum, julho-outubro/2008

<--- Salvar ou matar?!?!? Enfim...

Eu ia criticar o Versailles dizendo que eles soam como sendo apenas uma banda de power metal/heavy metal/algo assim. Mas daí um fã pode dizer "é exatamente esse o objetivo". Bom, complemento dizendo que eles soam como sendo apenas MAIS UMA banda de power/heavy metal/coisa assim -- com um pouquinho de Moi dix Mois aqui ou D ali.

Pois é, as guitarras e o baixo passam a maior parte fazendo as mesmas linhas, com power acordes nas guitarras e a nota fundamente no baixo. Os solos de guitarra são chato, não cativam. O arranjo se incrementa um pouco por causa da orquestração. KAMIJO passa a maior parte do tempo forçando a voz pra ficar mais grossa (isso me lembra D, além dos ritmos da introdução de "After Cloudia"), o que não cola. Sobre Moi, algumas músicas possuem um ar obscuro que me lembra eles, em resumo. Mais precisamente "Second Fear -Another Descendant-" e "to The Chaos Inside" e seu bate-estacas. Acho as duas faixas meio que a cara do grupo do Mana.

Versailles. Ah, pardon, mi-lorde! Versailles *~Glorious Choir from Excalibur~*

Eu diria ainda que "Antiqu in the Future", entre suas mudanças de ritmo, revela um pequeno surto de MALICE MIZER durante a ponte, quase no começo, após o verso. "windress" até possui uma melodia que me chamou alguma atenção, um refrão com falseto interessate, mas o arranjo típico estraga tudo. "History of The Other Side" não é o outro lado da banda, com certeza. Meio que só tem um... A música começa um pouco diferente, mas logo cai no lugar comum do grupo. Uma pegadinha do Mallandro...

E por aí vai até a música final (ou "gran finale", como os caras provavelmente prefeririam), "Episode". Achei que seria um outro instrumental cheio de orquestra. Pra minha agradável surpresa, é uma balada só de voz e piano. E sim, estou sendo totalmente tendencioso dizendo que é a faixa mais "ouvível" do disco -- porque não tem barulho, é uma música mansinha. KAMIJO canta com uma naturalidade suave a singela melodia guiada pela uma bela harmonia que sai do piano. Achei que esta resenha seria um desastre, mas o "Versa" ganhou uns pontos comigo. Só um pouquinho.

Na verdade, reafirmo, Versailles é praticamente só mais uma banda de power metal. O pouco que há de diferente não é suficiente. Parece até banda ocidental mesmo, com quase toda a repetição exaustivamente acentuada do meio metal. Um saco.

Nota: 1,5/5,0 ~ Prefiro LAREINE. E eu nem gosto de LAREINE.

"NOBLE" no CD Japan

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


VAMPS - LOVE ADDICT


HYDE (vocal, guitarra -- L'Arc~en~Ciel) + KAZ (guitarra -- oblivion dust, ex-hide with Spread Beaver). Single, julho de 2008.

Não sei porque HYDE resolveu iniciar este novo projeto em vez de continuar com seu trabalho solo (do qual participa KAZ como produtor e também guitarrista de apoio, se não me engano). O som do VAMPS não é tão diferente do que ele tem feito sozinho, ou seja, altamente ocidentalizado.

"LOVE ADDICT" é uma música de riff minimalista e repetitivo. Melodia demasiadamente simplória. Sem sal, típico do rock ocidental. O lado-b, "TIME GOES BY", é uma música mais calma no mesmo estilo.

Além de vender por isto que vê-se na foto...

... eu diria que HYDE solo e VAMPS só chamam atenção por causa do HYDE (sua figura na indústria musical japonesa). E o HYDE é o hyde do Sr. L'Arc~en~Ciel. Puta publicidade e historicidade. Daí vende. O oblivion dust, por exemplo, é uma banda japa de som ocidentalizado e cheio de letras em inglês, assim como o FAKE?, projeto de Ken Lloyd (do oblivion dust) com INORAN (ex-LUNA SEA). Ambas estas bandas nunca tiveram tanta mídia quanto o que faz o suprasumo HYDE. Eu diria que o sucesso de seus projetos fora do L'Arc são uma questão de marca. Um McDonald's musical.

Nota: 2,0/5,0 ~ Quem quer comer um HYDE com dois hamburgueres, alface... 8D

"LOVE ADDICT" no CD Japan

E não perda, dentro em muito breve: Uma resenha de "NOBLE", o primeiro álbum do Versailles, comentários de suas ações promocionais recentes e, mais adiante, o início de uma série especial sobre os dez álbuns de rock mais vendidos do Japão!

quinta-feira, 18 de setembro de 2008


DIR EN GREY - GLASS SKIN


Então, depois de um bom tempo, DIR EN GREY resolveu fazer algo audível, que não fosse um monte de barulho copiado de bandas ocidentais. A solução encontrada foi voltar a copiar o LUNA SEA. Sim, é tão evidente que acho surpreendente que as pessoas não tenham comentado de monte. Talvez seja porque os fãs mais antigos – tipo da minha época – realmente se afastaram de vez, não sendo um single que vai trazê-los de volta, e os fãs atuais sejam um tanto quanto novos demais no meio j-rock pra conhecer LUNA SEA (o que, mesmo assim, é estranho em vista do quanto o LUNA tem aparecido recentemente).

Enfim, por que, afinal “GLASS SKIN” soa tão LUNA SEA? As guitarrinhas não enganam. Aquela que fica “solando” na maior parte da música tem um timbre e estilo tipicamente sugizianos. A exemplo de inspirações óbvias ao DIR pra tal temos as introduções de “LOVELESS” (do álbum “MOTHER”, de 1994) e “END OF SORROW” (STYLE, 1996). São dois clássicos que demonstram uma das marcas registradas do LUNA, a guitarra de SUGIZO. A outra guitarra de “GLASS SKIN” passa também boa parte da faixa tocando uma linha com um delay caprichado, outro elemento usado com certa frequência na obra do LUNA SEA. E o exemplo: “IN SILENCE” (STYLE, 1996). Por fim, dado todo este contexto, os murmúrios de Kyo no meio da canção não podem deixar de me lembrar os do baixista J em “FOREVER & EVER” (STYLE, 1996). O terço que Kyo segura nesse momento durante o videoclipe reforça ainda mais minha associação. Pra quem não sabe, J é católico e encheu os trabalhos do LUNA SEA com referências cristãs.

O DIR costumava fazer muito isso. Três de seus primeiros trabalhos, o mini-álbum “MISSA” e os álbuns “GAUZE” e “MACABRE” têm influências claras (e umas copiadelas) não apenas de LUNA SEA, mas também de Kuroyume, dois dos mais influentes nomes do visual kei. Feitas as acusações, fico devendo um artigo demonstrando mais detalhadamente as semelhanças.

Voltando à resenha, “GLASS SKIN” não é a música mais cativante que o DIR EN GREY já fez. Acho até estranho que ela tenha sido lançada em single. Porém, o simples fato dela não conter berros e riffs nu metal já chama bastante atenção. O grupo vai até aparecer no programa Music Japan, da NHK! Quem diria! Acho que eles nem sequer lembravam que existiam programas assim. Só que, mesmo em programas assim, o vocal é ao vivo. Então, além de passar vergonha em shows (ou não, os fãs não parecem ligar muito pra isso), Kyo vai deixar bem claro em rede nacional que é incapaz de cantar direito as melodias que grava. “GLASS SKIN” ao vivo vai ser mais um bom exemplo disso, devido a suas notas muito agudas.

A volta do apelo visual, só que de outra forma (Kyo). E não posso deixar de pensar que Toshiya emprestou seu xampu pro Shinya (vide aqui).

Temos então uma nova versão de “undecided”, originalmente lançada no álbum “KISOU” (2002). Dentro do conceito de acalmar os ânimos do single, a banda fez um arranjo mais leve para a música, todo com violões. Ficou bem agradável. Fazia tempo que o DIR não acertava com regravações assim, principalmente depois de cagar em cima de HYDRA (MACABRE, 2000) com a amplamente infeliz “HYDRA -666-” (single “DOZING GREEN”, 2007), um amontoado de berros sem sentido e sem sequer semelhanças com a música original.

A próxima faixa não é uma música, é uma piada. E estou falando sério. Uma série de notas a olho no piano e Kyo berrando em cima... Se o DIR EN GREY acha que essa “AGITATED SCREAMS OF MAGGOTS -UNPLUGGED-” é uma música séria ou qualquer coisa além de um sarro, eles são completos retardados mentais. Eu falo assim porque não é de se duvidar, mas enfim...

O single termina com uma versão ao vivo de “RYOUJOKU NO AME”, mais uma oportunidade para reforçar que Kyo não sabe mais cantar ao vivo. Desafina, perde o fôlego... lamentável, principalmente quando comparado ao Kyo de 2004, no auge de sua performance vocal, cantando melodias difíceis, agudas, direitinho, dando seus eventuais grunhidos, gritos e outros tipos de sons estranhos em momentos bem escolhidos e de forma apropriadamente moderada. Ah... os tempos em que DIR EN GREY era uma boa banda... Algo me diz que “UROBOROS” nenhum vai trazer aqueles caras de volta...

Pra terminar, uma suspeita pessoal: eu diria que o DIR EN GREY está abandonando/abandonou seu recente estilo “metalzão com berreiros” porque ele simplesmente não deu certo. Apesar deles não terem ido mal nos EUA com “THE MARROW OF A BONE”, de 2007, (que, aparentemente vendeu mais do que o “Withering to death.”, de 2005, lá), o mercado principal deles ainda é o japonês. Aí, é só conferir seu próprio ranking de álbuns, segundo a Oricon:

1. GAUZE (1999)
2. MACABRE (2000)
3. KISOU (2002)
4. Withering to death. (2005)
5. VULGAR (2003)
6. six Ugly (2002, mini-álbum)
7. DECADE 1998 – 2002 (2007, coletânea)
8. DECADE 2003 – 2007 (2007, coletânea)
9. KAI (2001, remixes)
10. THE MARROW OF A BONE (2007)
11. MISSA (1997, mini-álbum independente)

Pois é, TMOAB só não vendeu menos do que o mini-álbum independente. E pra se ter uma idéia um pouco mais profunda de como o DIR tá mal das pernas, geralmente, quando uma banda lança uma coletânea de 10 anos de carreira, é de se esperar que seja um dos lançamentos mais vendidos da carreira do grupo. Mas como eu já disse, parece que os fãs antigos já não têm mais esperanças para o DIR e caíram no desgosto com relação ao quinteto mesmo. Um álbum original vender menos do que um de remixes chato é dose.

Nota: 2,5/5,0 ~ E a capa mantém o padrão horrível das capas de uns singles dos anos recentes

"GLASS SKIN" no CD Japan

E a seguir, não "perda", resenhas de Versailles e VAMPS!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Resenhas: lançamentos de agosto e setembro (singles)


Considero-me um homem justo: tardo mas não falho. Em termos de postagem em blog, claro! Outros assuntos são outras histórias... Enfim... quanto mais falo, mais me complico... Vamo logo pras resenhas!


alice nine. – RAINBOWS
08/2008

Já vi compararem “RAINBOWS” à “FUZZ” do MUCC. Bom, a do alice certamente também tem um quê eletrônico e eu diria que com certeza não é de modo algum uma cópia da música do MUCC. “RAINBOWS” remete, creio, a um clima mais “disco anos 70”. Isso, combinado com os timbres certeiros do grupo e um arranjo com polifonia na dose certa compõem um belo hit. O alice nine. só se estraga quando resolve fazer músicas barulhentas ou sem muita criatividade, como a faixa seguinte do single, “Strawberry Fuzz”. Os fãs que me desculpem, mas essa música é meramente emo. É, eles têm um som ou outro nessa linha. Bastante desnecessários, eu diria, e não-divertidos também – o que realmente importa. “Kochouran” é uma balada com arranjo bem apropriado e melodia até bem feita. Mas faltou algo pra me cativar. Não é muito chamativa, mas também não é ruim. Imagino, então, que pros fãs seja boa.

Nota: 3,5/5,0 ~ O Shou cantando me lembra o Zed de “Loucademia de Polícia” =)


MUCC – Ageha
08/2008

O MUCC tem um defeito que às vezes é uma qualidade. Eles sempre repetem algumas coisas, mas, na maioria das vezes, com um toque de algo novo. “Ageha” caminha pelas trilhas do nu metal – num jeito um tanto quanto Slipknot de ser – que, digamos, a banda já conhece MUITO bem. E até o refrão, a coisa já foi parar num campo mais melódico que é mais a cara da banda. Mas, ao mesmo tempo, a música não soa exatamente igual a outros trabalhos da banda nesse gênero. Os elementos eletrônicos explorados no último álbum, “Shion”, lançado neste ano, só dão as caras numa ponte do meio da canção. Talvez a produção de ken do L’Arc~en~Ciel tenha algo a ver com esse diferencial. Quanto ao lado-b “Concrete 082”, remete um pouco a material antigo do MUCC e um muito a (como não poderia deixar de ser observado, de tão óbvio que é) Red Hot Chili Pepers. Não apenas pelo baixo, mas também pela guitarrinha sem distorção. Mas o refrão bem emotivo da música, a ponte viajante no meio (mantendo o arranjo singelo) e a própria faixa-título do single compensam isso. Só fica a pergunta: será que o MUCC vai abandonar de vez esse lance de nu metal antes que ele fique desgastado de vez?

Nota: 4,0/5,0 ~ Vamo pra frente, MUCC! Quem anda pra trás é o Michael Jackson


Plastic Tree - Replay / Dolly
08/2008

Provavelmente eu já disse isso mais de uma vez, mas o Plastic Tree é especialista em lançar músicas bonitas. Você encontra bons exemplos de diversas épocas da banda: a antiga “Zetusbou no Oka”, a nem tão nova “Mizuhiro Girlfriend”, a recente “Alone again, wonderful world”. Seria ótimo se o Plastic Tree resolvesse concentrar pelo menos um álbum nesse estilo ao invés de procurar a pluralidade sonora através de uma série de músicas “alternativescas” sem graça. A primeira faixa deste single fica, sem sucesso, entre os dois extremos. “Replay” parece o tipo de música feita com pressa, quase que de qualquer jeito. Não sei porque lançaram isso como um lado-a de single. É bem inferior à bela “Dolly”, que, vejam bem, não possui um arranjo lento e meloso. Ao contrário, ela é agitada e a melodia é muito bonita e cativante. Inspiradora, até! Por fim, o lado-b de fato. Mais uma vez o “alternativismo maluquinho” estraga o trabalho do Plastic Tree com a instrumental lentinha-que-muda-pra-agressiva-no-meio-do-caminho “Kaisou, Koe wa Naku.”, tão sem sal quanto a vasta maioria das instrumentais de grupos de rock. E, como tantos outros lados-b, serve só pra preencher espaço e justificar o preço do single. Duvido que seja uma música que a banda tocaria ao vivo.

Nota: 2,5/5,0 ~ Soltando sons bons de pouco em pouco, depois de uns 20 anos vai dar pra juntar tudo e fazer um ou dois álbuns bons deles


Mr.Children – HANABI
09/2008

É uma bela música. Não é agitada nem lenta. Não é melosa nem chata. Não é um single muito marcante para despedida pré-hiato, nem muito fraco como se fosse um lançamento qualquer. Podemos então concluir que Mr.Children sabe trabalhar bem os meios-termos? Uma coisa digo com certeza, música relaxante sempre foi com eles mesmos. Além da inédita faixa-título, temos uma regravação do razoavelmente recente clássico “Tada Dakiatte” – muito bem-vinda, diga-se de passagem. A cansativa versão original lançada em 2004 no álbum “Shifuku no Oto” com o nome de “Tagatame” ganhou um arranjo muito simpático ao violão e teve sua estrutura diminuída muito apropriadamente, eliminando o original problema de repetição excessiva do refrão. O single fecha com “Natsu ga Owaru -Natsu no Hi no Hommage-”. Pou, uma baladinha pra fazer você pensar na namorada ou no namorado num pode faltar, né!

Nota: 4,0/5,0 ~ O Sakurai cantando é assim: XD


Dentro em muito breve: resenhas de lançamentos de DIR EN GREY, VAMPS e Versailles!

domingo, 7 de setembro de 2008


Resenhas: DVDs ao vivo (lançamentos)


abingdon boys school - abingdon boys school JAPAN TOUR 2008
17/06/2008

Eu diria que o álbum desses caras foi provavelmente o melhor de 2007. E diria mais: uma pena que o TAKANORI tenha decidido manter-se focado em sua carreira solo (TM Revolution) em vez de dar prioridade ao abingdon boys school, certamente uma das melhores e mais refinadas bandas de rock pesado que já surgiu. Bem, desde que saiu o álbum, eu venho aguardando o lançamento de um DVD ao vivo. Afinal, não tinha como eles não lançarem um!

Efeito simples e bem usado

A espera finalmente terminou neste ano e minhas expectativas foram colocadas a prova. Em algumas fui feliz, em outras, nem tanto. A principal delas foi correspondida. Nunca acompanhei o trabalho solo de TAKANORI e pude descobrir agora que ele realmente é um excelente cantor. Tudo que ele faz no estúdio, repete ao vivo, sem titubear. E não, não é playback, exceto pelo uso desnecessário de um backvocal em "LOST REASON", uma de minhas decepções. De resto, dá pra perceber facilmente que é tudo ao vivo pra valer. E muito bem feito.

Ah, qual é! Um carrinho?! XD

Outra decepção com playback foi durante "Sweetest Coma Again", o cover de LUNA SEA, desta vez com o violão que TAKANORI "toca" durante a música. Não dá pra enganar até mesmo um leigo, desde que ele esteja um pouco atento, a 1h31m38s do vídeo, quando rola apenas voz e violão. O som não bate com o que o cantor faz com as mãos. Que feio! Tudo bem usar um playback da parte de violão, afinal os guitarristas tavam ocupados com as respectivas guitarras. Mas fingir que toca um instrumento é um baita mico, hein, principalmente prum cara consagrado como TAKANORI. Pior que considero "Sweetest Coma Again" o ponto máximo do show. Até o solo de guitarra (coisa da qual não sou assim tão fã quanto muitos) eu acho ótimo, porque se encaixa perfeitamente no contexto da música. Seria realmente um número perfeito, não fosse o mico.

Hisashi Imai no teclado

Sobre presença de palco, não há do que reclamar de TAKANORI. No entando, os outros deixam a desejar. Fora o tecladista, que obviamente não pode sair muito do lugar, os guitarristas não demonstraram muito ânimo até o último terço do show. Eles não se empolgaram um pouco mais antes de "stay away".

Como já exclarecido, não sou o maior fã de solos de guitarra. Nem de baixo. Nem de bateria. Então, qualquer número desse tipo em um show (sabe, quando fica só o guitarrista, ou qualquer outro instrumentista, fazendo um solo sem a banda mesmo) me enche o saco. Penso "bem que esse tempo gasto poderia ter sido melhor usado, eles poderiam ter tocado outra música". Pra minha infelicidade, o show tem dois solos de guitarra desse tipo. No segundo, pelo menos o cara fez o favor de fazer algo mais melódico ao final do número e não apenas exibir sua técnica "poderosíssima-metal-from-hell".

Acredite ou não, aqui TAKANORI está cantando um "U"

E cortar o show no meio pra mostrar cenas de passagem de som ou qualquer tipo de ocorridos em bastidores não é nada atraente. É o tipo de coisa que ficaria bacana num arquivo ou disco bônus.

Fora isso, sem reclamações! =) Peguei tanto no pé do que considerei defeito, mas na verdade é um DVD realmente bom, à altura da música da banda -- um trabalho cheio de qualidade.

Repertório

01. As One
02. HOWLING
03. DOWN TO YOU
04. NERVOUS BREAKDOWN
05. Via Dolorosa
06. DESIRE
07. SUNAO solo
08. BLADE CHORD
09. SHIBASAKI solo
10. Desert Rose
11. Nephilim
12. LOST REASON (feat. MICRO)
13. stay away
14. Fre@K $HoW
15. INNOCENT SORROW
16. Dress (BUCK-TICK cover)
17. Sweetest Coma Again (LUNA SEA cover)
18. Athena

Nota: 4,0 [Até não sei quando, abs!]


Mr.Children - Mr.Children "HOME" TOUR 2007 ~in the field~
06/08/2008

Há quase vinte anos, os caras do Mr.Children fazem as músicas mais bonitas do planeta. E mesmo depois de tanto tempo, o quarteto continua realizando seus shows com todo entusiamo, como se não bastasse a produção de primeira das apresentações.


Não obstante as razões acima, eis mais uma pra considerar este show uma introdução muito boa ao mundo de Mr.Children: Este nem parece um DVD da turnê do álbum "HOME", pois seu repertório abrange diversas épocas do grupo, desde antigueiras como "Hoshi ni Naretara" e "my life" até um dos últimos singles, "Tabidachi no Uta", lançado em outubro do ano passado.

De cara, já se vê que o lugar da apresentação é de responsa e não fica devendo nada prum Tokyo Dome da vida. O NISSAN STADIUM tem capacidade pra mais 72 mil pessoas e no show só não tinha público nas arquibancadas atrás do palco. Logo depois de "Irodori", faixa do "HOME" que já nasceu clássica, a banda começa a disparar clássicassos um atrás do outro. Vários deles com arranjos diferentes dos originais. Alguns, BEM diferentes -- o caso mais evidente talvez sendo "Tomorrow never knows". Durante a vasta maioria dos números, a banda foi acompanhada de instrumentos eruditos (dois violinos, viola, violoncelo) e um grupo de "metaleiros" (sax, trompete e talvez alguma coisa mais...).

Os cara são só sorriso

A platéia cantou algumas músicas. Desses momentos, o mais bonito foi durante "Kuchibue", uma das clássicas. A galera soltou a voz sem nem o vocalista Kazutoshi Sakurai pedir. Ele até começou a cantar, mas o coro do público estava tão tocante que ele deixou o vocal a cargo dos fãs durante a maior parte da música. Não tem preço!

Eu reforço: uma opção muito boa pra quem tá conhecendo ou quer conhecer uma das bandas mais importanes da história do Japão.

Esperando o busão pro show

A capa do disco é demais, não é verdade? Evidentemente, a tartaruga e a lebre fizeram mais naquele mato do que meramente competir em uma corrida.

Repertório

disco 1

01. Irodori
02. Na mo Naki Uta
03. Hoshi ni Naretara
04. See Saw Game ~Yuukan na Koi no Uta~
05. CROSS ROAD
06. Tomorrow never knows
07. my life
08. Hibiki
09. Kitto
10. HERO
11. Imagine (John Lennon cover)
12. CENTER OF THE UNIVERSE

disco 2

01. Dance Dance Dance
02. Fake
03. Any
04. Kuchibue
05. Sign
06. Pocket Castanet
07. Worlds end
08. Owarinaki Tabi
09. Shirushi
10. Wake me up!
11. innocent world
12. Tabidachi no Uta

Nota: 4,5 [=D]


See Saw Game ~Yuukan na Koi no Uta~