quinta-feira, 18 de setembro de 2008


DIR EN GREY - GLASS SKIN


Então, depois de um bom tempo, DIR EN GREY resolveu fazer algo audível, que não fosse um monte de barulho copiado de bandas ocidentais. A solução encontrada foi voltar a copiar o LUNA SEA. Sim, é tão evidente que acho surpreendente que as pessoas não tenham comentado de monte. Talvez seja porque os fãs mais antigos – tipo da minha época – realmente se afastaram de vez, não sendo um single que vai trazê-los de volta, e os fãs atuais sejam um tanto quanto novos demais no meio j-rock pra conhecer LUNA SEA (o que, mesmo assim, é estranho em vista do quanto o LUNA tem aparecido recentemente).

Enfim, por que, afinal “GLASS SKIN” soa tão LUNA SEA? As guitarrinhas não enganam. Aquela que fica “solando” na maior parte da música tem um timbre e estilo tipicamente sugizianos. A exemplo de inspirações óbvias ao DIR pra tal temos as introduções de “LOVELESS” (do álbum “MOTHER”, de 1994) e “END OF SORROW” (STYLE, 1996). São dois clássicos que demonstram uma das marcas registradas do LUNA, a guitarra de SUGIZO. A outra guitarra de “GLASS SKIN” passa também boa parte da faixa tocando uma linha com um delay caprichado, outro elemento usado com certa frequência na obra do LUNA SEA. E o exemplo: “IN SILENCE” (STYLE, 1996). Por fim, dado todo este contexto, os murmúrios de Kyo no meio da canção não podem deixar de me lembrar os do baixista J em “FOREVER & EVER” (STYLE, 1996). O terço que Kyo segura nesse momento durante o videoclipe reforça ainda mais minha associação. Pra quem não sabe, J é católico e encheu os trabalhos do LUNA SEA com referências cristãs.

O DIR costumava fazer muito isso. Três de seus primeiros trabalhos, o mini-álbum “MISSA” e os álbuns “GAUZE” e “MACABRE” têm influências claras (e umas copiadelas) não apenas de LUNA SEA, mas também de Kuroyume, dois dos mais influentes nomes do visual kei. Feitas as acusações, fico devendo um artigo demonstrando mais detalhadamente as semelhanças.

Voltando à resenha, “GLASS SKIN” não é a música mais cativante que o DIR EN GREY já fez. Acho até estranho que ela tenha sido lançada em single. Porém, o simples fato dela não conter berros e riffs nu metal já chama bastante atenção. O grupo vai até aparecer no programa Music Japan, da NHK! Quem diria! Acho que eles nem sequer lembravam que existiam programas assim. Só que, mesmo em programas assim, o vocal é ao vivo. Então, além de passar vergonha em shows (ou não, os fãs não parecem ligar muito pra isso), Kyo vai deixar bem claro em rede nacional que é incapaz de cantar direito as melodias que grava. “GLASS SKIN” ao vivo vai ser mais um bom exemplo disso, devido a suas notas muito agudas.

A volta do apelo visual, só que de outra forma (Kyo). E não posso deixar de pensar que Toshiya emprestou seu xampu pro Shinya (vide aqui).

Temos então uma nova versão de “undecided”, originalmente lançada no álbum “KISOU” (2002). Dentro do conceito de acalmar os ânimos do single, a banda fez um arranjo mais leve para a música, todo com violões. Ficou bem agradável. Fazia tempo que o DIR não acertava com regravações assim, principalmente depois de cagar em cima de HYDRA (MACABRE, 2000) com a amplamente infeliz “HYDRA -666-” (single “DOZING GREEN”, 2007), um amontoado de berros sem sentido e sem sequer semelhanças com a música original.

A próxima faixa não é uma música, é uma piada. E estou falando sério. Uma série de notas a olho no piano e Kyo berrando em cima... Se o DIR EN GREY acha que essa “AGITATED SCREAMS OF MAGGOTS -UNPLUGGED-” é uma música séria ou qualquer coisa além de um sarro, eles são completos retardados mentais. Eu falo assim porque não é de se duvidar, mas enfim...

O single termina com uma versão ao vivo de “RYOUJOKU NO AME”, mais uma oportunidade para reforçar que Kyo não sabe mais cantar ao vivo. Desafina, perde o fôlego... lamentável, principalmente quando comparado ao Kyo de 2004, no auge de sua performance vocal, cantando melodias difíceis, agudas, direitinho, dando seus eventuais grunhidos, gritos e outros tipos de sons estranhos em momentos bem escolhidos e de forma apropriadamente moderada. Ah... os tempos em que DIR EN GREY era uma boa banda... Algo me diz que “UROBOROS” nenhum vai trazer aqueles caras de volta...

Pra terminar, uma suspeita pessoal: eu diria que o DIR EN GREY está abandonando/abandonou seu recente estilo “metalzão com berreiros” porque ele simplesmente não deu certo. Apesar deles não terem ido mal nos EUA com “THE MARROW OF A BONE”, de 2007, (que, aparentemente vendeu mais do que o “Withering to death.”, de 2005, lá), o mercado principal deles ainda é o japonês. Aí, é só conferir seu próprio ranking de álbuns, segundo a Oricon:

1. GAUZE (1999)
2. MACABRE (2000)
3. KISOU (2002)
4. Withering to death. (2005)
5. VULGAR (2003)
6. six Ugly (2002, mini-álbum)
7. DECADE 1998 – 2002 (2007, coletânea)
8. DECADE 2003 – 2007 (2007, coletânea)
9. KAI (2001, remixes)
10. THE MARROW OF A BONE (2007)
11. MISSA (1997, mini-álbum independente)

Pois é, TMOAB só não vendeu menos do que o mini-álbum independente. E pra se ter uma idéia um pouco mais profunda de como o DIR tá mal das pernas, geralmente, quando uma banda lança uma coletânea de 10 anos de carreira, é de se esperar que seja um dos lançamentos mais vendidos da carreira do grupo. Mas como eu já disse, parece que os fãs antigos já não têm mais esperanças para o DIR e caíram no desgosto com relação ao quinteto mesmo. Um álbum original vender menos do que um de remixes chato é dose.

Nota: 2,5/5,0 ~ E a capa mantém o padrão horrível das capas de uns singles dos anos recentes

"GLASS SKIN" no CD Japan

E a seguir, não "perda", resenhas de Versailles e VAMPS!

8 comentários:

Daisuke .S. disse...

Na verdade J não é cristão, ele ja falou sobre isso numa entrevista para o Jame.Ele usa o cristianismo mais pela parte mítica.

E eu já tinha comentado, esse single é bom, até pq Kyo mandou bem no vocal, mas falta vigor... não parece sincero, sabe.

E eles tão querendo dar um de Vkeier denovo, isso é fato, porque esse onda Nu Metal deles só faz sucesso no ocidente.Fazer show denovo do NHK é? Hahahaha digo nada 8)

Olha o visu novo do Toshiya:
http://i15.photobucket.com/albums/a389/ayafujimiya/Toshiya/toshiyapelado.jpg

Olha a aparencia de Kaoru e Die
http://i15.photobucket.com/albums/a389/ayafujimiya/Dir%20en%20Grey/dir1.jpg

Sei não hein... 8)

Anônimo disse...

Ah tá... sei lá, o J usa o negócio demais pra quem usa só por usar. Mas enfim...

E se o DIR voltasse pro visual mesmo tava bom, viu. Bom demais pra ser verdade.

Anônimo disse...

Mesmo que o DeG voltasse pro visual, isso não garantiria a volta de um bom som.

iori disse...

Quando eu digo "voltar pro visual", quero dizer "voltar pro visual KEI" mesmo. Ou seja, tudo, principalmente o som, que é, logicamente, o mais importante.

Anônimo disse...

Eu gostei do single, com excessão da ASOM...apesar d achar q a GLASS SKIN naum eh uma msk tão "potente" (naum quero dizer q a msm seja ruim) pra ser lançada como single.
Realmente eh bem perceptivo a inspiração Sugizistica na guitarra...o estilo d composição tem características do LUNA SEA mas naum chega a ser plágio...axei a msk bem unica por assim dizer 8D

iori eu tenhu certeza q eles estão sentindo o prejuízo do THE MARROW OF A BONE.....eles meio q surtaram com esse album XD...apesar d ter algumas poucas msks boas o resto eh bem descartavel...com letras incrivelmente ridiculas

mas pelo jeito estaum voltando a sanidade..eu axo...

ah iori, vc viu o live da GLASS SKIN no Music Japan???
Aconteceu o contrário das suas previsões...o Kyo cantou primorosamente bem....o q eh uma benção ^^

antes q me "ataquem"....naum, eu naum odeio a banda....pelo contrário sou mto fã...mas td tem limite....naum eh pq sou fã q ouço qlqr porcaria q lançarem.

Ah parabens pelo blog....tah ficando bem legal

iori disse...

Não vi eles no MS, mas com certeza vai ter no tubo pra ver.

E brigado! =D

Anônimo disse...

GLASS SKIN (NHK MUSIC JAPAN)
http://www.youtube.com/watch?v=bL-0WkBd1Bw

ferrera disse...

Esse negócio de que começaram a parar com as cópias de Nu Metal é baboseira, eu não vejo que eles vão parar tão cedo com isso.
só prestar atenção no início de Glass Skin, é In The End do Linkin Parki pow.. que isso!! u.u