quarta-feira, 8 de outubro de 2008


Resenhas INORAN: o novo e o não tão novo com velhos


Analisando as últimas do INORAN, ex-guitarra do LUNA SEA e atual guitarra do Tourbillon e solo!

apocalypse
09/2008

Basicamente, temos aqui um estilo um tanto quanto ocidentalizado, agitado, "alternativesco", com uma penca de efeitos frequentemente usados como bastante reverb e delay, scrachs, efeitos eletrônicos DJ-zísticos e vozes, etc. É até interessante, bem produzido... Os arranjos são bons também. E INORAN está definitivamente cantando melhor do que em alguns trabalhos anteriores. O grande problema é que ele parece o Kiyoharu, ao menos neste disco: desenvolve um estilo com certa autenticidade, com um quê alternativo, o que é bom até o momento em que esse estilo é desgastando pelo próprio artista.

A primeira metade de "apocalypse" chega a ser enjoativa. Na segunda, encontramos exceções como "Hydrangea" -- faixa pouco empolgante que parece misturar música medieval com batida de "R&B de MTV" -- e "9th", um pop rock agradável. E talvez, se você não for tão exigente, "SENNEKA" e "Regret", versões mais acústicas da sonoridade-chave do disco.

Nota: 2,5/5,0 ~ Este post não é tão pessimista! Continue lendo! =D

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THE BEST
01/2008

INORAN aproveitou o tremendo bafafá do show do LUNA SEA no ano passado para lançar esta coletânea, sua primeira. Cara esperto.

Uma característica: as músicas, no geral, não são tão agitadas quanto em "apocalypse".

Uma vantagem: há mais versatilidade sonora. Mas isso não é esperado de uma coletânea que abrange quatro álbuns de estúdio? Sim, mas vou esmiuçar adiante =)

Uma desvantagem: a capacidade vocal de INORAN não é tão boa quanto no último álbum.

É uma coletânea divertida de se ouvir. Faixas como "Spirit" e "Felicidad" são bonitas, cheias de efeitos e te deixam num ambiente viajante. Baladas belas e cativantes como "Walk along", "Toki no Iro" e "Come closer" também estão presentes, transparecendo musicalidade provavelmente remanescente dos tempos de LUNA SEA, mas sem deixar de demonstrar uma certa inoranidade (essa foi foda...). Há também momentos de maior obscuridade e mistério em "Can you hear it?" e "Sou", bem como momentos mais ocidentalizados 'alternativescos' em "raize" e "identity", que poderia ser uma música do FAKE? (isto é uma afirmação, o nome da banda é assim mesmo, com interrogação no fim =p).

É um disco agradável de se ouvir. E sim, espera-se sempre maior variação sonora em uma coletânea do que em um álbum de estúdio de alguém. Mas entre as faixas de "THE BEST", é fácil observar elementos em comum. A variação está lá, mas a unidade é muito grande, tudo pode ser facilmente visto como um único estilo. Algo sempre muito mais interessante do que a repetitividade de "apocalypse".

Pode parecer meio óbvio, mas talvez seja mais como a confirmação de uma "verdade universal": se você vai começar a ouvir INORAN solo, comece por "THE BEST".

Nota: 4,0/5,0 ~ Só senti falta de "not a serious wound" e seu baixo magnífico!

[Compre "THE BEST" no CD Japan!]

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Agora, observem essa carinha:


Vocês conseguem imaginar este ser humano usando um ~BIGODE~??? Então, assista o clipe a seguir (quase não acreditei):

Determine



TOSHI virou oshare!


RadioBlast.com.br:

Por motivos de origem pessoal não divulgados, alheios à vontade dos músicos, o guitarrista JUN (ex-Phantasmagoria) e o baterista Shinya (LUNA SEA) não poderão vir ao Brasil para a apresentação da banda TOSHI with T-EARTH. Por isso, no lugar deles, virão Mitsujou e Takane, membros do Charlotte que acompanharam TOSHI em suas apresentações pela Coréia

Aí já virou TOSHI with Charlotte! "Go Go Toshi Deyama!"

Tentando aproveitar este post para falar algo de útil...

Sobre o especial de matérias/resenhas sobre álbuns do DIR EN GREY...

Pelo que li em comentários no Orkut, algumas pessoas acharam a resenha sobre o "GAUZE" pobre/superficial e a do "MACABRE", em contrapartida, feita com mais esmero e detalhes. Na minha opinião o "GAUZE" é um disco bem menos profundo do que o "MACABRE" e então deu no que deu. E vocês ainda vão me ver escrever textos maiores do que o da resenha do "GAUZE" sobre discos musicalmente menos profundos do que ele. Só que eu diria também que a época do "GAUZE" foi mais simples, diferente da época do tal disco menos profundo sobre o qual falarei adiante. Bom, isso tá ficando confuso. No final das contas, não tiro a razão de quem fez essa crítica =p

Sobre piadinhas...

Piadas sem graça?! EU?!?! Pou gente, piadas sem graça são a base de sustentação do humor corriqueiro da televisão mundial e de vários eventos artísticos (?) de grande magnitude como o Oscar e o Anime Friends (brincadeiriiiiiiiiiiiiiiiinha!).

E a seguir...!

* Resenhas sobre INORAN (ex-LUNA SEA)!

* E continua o especial DIR EN GREY!

* Aguarde e confie!

terça-feira, 7 de outubro de 2008


Especial Plastic Tree!



Amanhã! No Rock Shock Waves! 21h em www.radioblast.com.br!


Um pouco de história


Confiram um pouco das origens das melodias que a gente curte... Interessante que na época cantor precisava saber cantar e não ser bonito.


Só conheço o penúltimo, THE ALFEE

Pessoalmente, eu ainda adicionaria Southern All Stars (YouTube - "C Chou Kotoba ni Gyoujin", de 1979, cuja incorporação do vídeo para página fora do YouTube foi desativada pelo postante cabaço).

E tais coisas nos levaram a coisas como...


BOØWY - CLOUDY HEART (ao vivo, 1983)


B'z - BE THERE (1990)


Etc e tal!


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 2 ~ MACABRE


"Tínhamos esse conceito (...) quando ouvissem a música, uma incrível imagem surgiria."
Kaoru em FOOL'S MATE n. 271 (maio/2004)

MACABRE
2000
cor
cult
aprox. 75 min.

Se você quer realmente ouvir um disco e perceber seus menores nuances, até onde sua capacidade auditiva lhe permitir, eu recomendo que você use um fone de ouvido muito bom (confesso que não entendo dos de concha, mas dos auriculares eu diria que o da Apple é, de longe, o melhor) e escute o som na calada da noite, sozinho em seu quarto escuro. Dependendo de que disco você escolher, você vai começar a descobrir sons que você não sabia que estavam lá. E talvez o melhor disco para fazer isso seja "MACABRE".

Kiyoharu, SUGIZO, Mana... e... digamos "Gackt", só pra não perder o costume... e, por fim, um profissional S&M

"MACABRE" só não foi o primeiro álbum totalmente produzido pelo DIR EN GREY porque meras duas músicas, os dois primeiros singles, não foram produzidos por eles. Mas saiba, a influência de YOSHIKI já não mais reinava aqui. Este álbum faz jus ao nome. As músicas e a produção, no geral, passam a idéia de algo sórdido e... macabro. O título é perfeito, na verdade. Tão simples e tão eficaz.

A produção é a grande razão de fazer deste álbum algo tão bom de se ouvir com atenção especial. O disco é recheado de efeitos e sintetizadores. Mas por incrível que pareça, apesar da grande quantidade, foi tudo muito bem dosado e em momentos totalmente apropriados.

DIR EN GREY foi ainda além. Apesar de permanecer a evidente influência de seus heróis do visual kei (vide parte 1), o grupo utilizou algumas sonoridades antes nunca usadas (ao menos do jeito que encontra-se no álbum) no movimento. O exemplo que mais se destaca é o experimentalismo com um puta cheiro de rock progressivo das faixas "MACABRE -SANAGI NO YUME WO AGEHA NO HANE-" e "ZAKURO". A primeira tem 10 minutos cheios de acordes dissonantes, polifonia com três guitarras e violão e baixo rolando ao mesmo tempo, um monte de efeitos e melodia que definem muito bem tudo que eu descrevi sobre o álbum até então. A parte instrumental do meio da música deixa tudo mais calmo para, soturna e gradualmente, crescer e tornar-se cada vez mais tensa. Já "ZAKURO" é de uma delicadeza, beleza e melancolia tais que culminam no que só poderia ser um dos números mais tocantes do DIR EN GREY ao vivo de todos os tempos.

Falando em beleza, "HOTARUBI" é outra "balada" do álbum que chama muita atenção. Fica meio agitadinha depois do primeiro verso, mas o arranjo singelo guiado em boa parte por um violino sutil são de arrepiar. Talvez, aliás, não tanto quanto o esquisitíssimo e inesperado zumbido de cerca de 5 segundos, pendendo mais para um dos falantes estéreis, que começa mais ou menos a 3'20''. Será que eles fizeram isso sóbrios???

"WAKE" em seu jeito LUNA SEA de ser, a hardcoresca "Berry", a relaxante (?) "audrey" e a metaleira "RASETSUKOKU" são mais "direto ao ponto". Aliás, interessante observar que a sonoridade de "RASETSUKOKU" é uma das que ainda não havia sido explorada por bandas visuais até então. "Hydra", outro clássico ao vivo, mexe também um pouco com isso, usando ainda alguns samplers eletrônicos e, claro, o célebre canto gregoriano!

O mais estranho de "egnirys cimredopyh +) an injection" é... sim, seu nome (tente ler ao contrário). Mas o som não fica muito atrás. Tem um riff hipnotizante e macabro (a palavra mágica de novo sendo a melhor descrição). Mas riff hipnotizante viria a ser uma especialidade do DIR. E essa história começou com "MYAKU", o primeiro single de "MACABRE". A música tem alguns riffs nesse estilo, muito interessantes e grudentos. Não obstante, ela passa por uma série de mudanças de tempos... 3/4, 5/4, 4/4... Todas muito bem boladas e bem encaixadas. O tipo de coisa que NÃO me parece ter ocorrido por mero acaso (cagada durante um ensaio, por exemplo). E "[KR] cube"? Outra com um riff daqueles, bem maluquinho. No geral, ela pode não parecer tão inovadora, a princípio. Mas, na verdade, em sete anos de pesquisa sobre rock japonês, nunca achei nada parecido com ela (nem no resto do mundo, aliás). Desse álbum, a última dos riffs doidos e apropriados para lavagem cerebral é "Deity". Quer dizer, última a ser citada, mas a primeira do disco (isso porque sou uma pessoa extremamente organizada). Começa com cerca de dois minutos de um repetitivo sampler de vozes de monstros que faz você imaginar-se num tipo de inferno. Mas isto na verdade é legal, pra dar um clima. Não fica algo chato, principalmente depois que você já está acostumado com a música. Quando a tal começa de fato, revela-se a mais metal que o DIR já havia feito até então, mas sem deixar de lado um toque legal de harmonização e melodia. Com o detalhe da letra em russo.

O álbum fecha com "TAIYOU NO AO", pra terminar light, pouca distorção e tal. Acho que trechos como o de batida meio bossa a 2'55'' fizeram um chegado comparar a música a música brasileira. Sinceramente, nunca achei muita graça nela. Destoa bem do resto do álbum, mas bem, é um álbum visual noventista. Variação é de lei aqui! Eu diria, sem medo de errar, que "MACABRE" é um dos melhores álbuns de rock já feitos.

E o pior é que eu poderia dizer o mesmo sobre a arte do disco. Super trabalhada. Por exemplo (não reparem no fundo):

As esferas são de madeira e ficam soltas

O desenho da parte da frente tem um leve alto-relevo

O visual possuía a excentricidade que a banda sempre usara até então, só que, na ocasião, apresentado de maneira apropriadamente mais obscura. Eu diria que ficou ainda melhor. Algumas das marcas visuais registradas da banda foram ainda mais reforçadas nessa época, como as cores de cabelo de Die, Kaoru e Kyo.

Os videoclipes, tal como o som, também evoluíram muito e começaram a se tornar algo especial na carreira da banda. A despeito do simples emaranhado de luzes de "TAIYOU NO AO", "MYAKU" mostra uma história bem macabra (de novo a palavrinha!!!!!) e efeitos como os membros da banda saindo da parede, enquanto a pérola "[KR] cube" apresenta-nos a uma história gangsterística com uma edição incomum e muito boa.

Para finalizar o resumo dessa era sem igual para o DIR EN GREY... os shows! Ah, os shows... Infelizmente, nunca pudemos ver um completo da época. Em vez disso, foi lançado em DVD um documentário da turnê do álbum, que rolou entre 2000 e 2001. Em meio a um cenário sempre super-produzido (que melhor pode ser descrito com a maldita palavrinha mágica), a banda estava mais animada e performática do que nunca.

"TOUR 00-01 MACABRE"

Pena não podermos presenciar como ocorreu na época mesmo o momento encantador que era o número da música "MACABRE". O grupo começava o show com ela, tocando atrás de uma cortina que mostrava apenas as silhuetas gigantes dos músicos, projetadas com holofotes no fundo do palco. Então, no meio da música, naquele trecho instrumental tenso e crescente, a cortina levanta-se bem na hora que começa o solo de guitarra. Espetacular. Ao menos, podemos conferir o número memorável na filmagem do show não tão impactante, mas ainda bom, do terceiro dia do "BLITZ 5DAYS". (YouTube)

Interações dos membros entre si e com a platéia, comemorações de aniversários dos membros no meio das apresentações, toda a animação que já rolava parece ter rolado ainda mais nessa turnê. E Kyo começou a cuspir sangue falso, quebrar ovos na cara e se arranhar um pouco. Isso ainda era legal na época. Só um detalhe -- o final da turnê foi no Nippon Budokan, primeira segunda vez que o DIR tocou lá (e a última durante uns bons anos, fato talvez explicado pela progressiva queda de vendas):


Certamente tempos especiais para a banda, para o visual kei e até mesmo para o j-rock em geral. Mas muita água ainda iria rolar!

MACABRE

01. Deity
02. MYAKU
03. WAKE
04. egnirys cimredopyh +) an injection
05. Hydra
06. HOTARUBI
07. [KR] cube
08. Berry
09. MACABRE -SANAGI NO YUME WO AGEHA NO HANE-
10. audrey
11. RASETSUKOKU
12. ZAKURO
13. TAIYOU NO AO

Nota: 4,5/5,0 ~ Imperdível! Mesmo!

[ouça]

[compre no CD Japan]

Confira a seguir a parte 3, sobre o álbum "KISOU"!

PS: Neste blog (o mesmo da primeira parte) achei um artigo muito grande e muito, muito legal. É uma resenha sobre o livro de partituras do "MACABRE". Vale muito a pena ler, pra quem sabe inglês!

domingo, 5 de outubro de 2008


DuelJewel com lançamentos digitais



Segundo o JaME, DuelJewel lançou seu novo single, "against", exclusivamente pelo site HearJapan, bem como disponibilizou lá alguns de seus singles mais recentes. O álbum novo dos caras, "GLASSFIA", também vai sair no HearJapan, mas ganhará ainda uma versão em CD.

Pela rápida pesquisa que fiz, um álbum lá deve custar, atualmente, não muito mais de 30 reais. Penso em comprar esse álbum do Duel, pra dar um apoio, mas com algumas condições:

* Esperar o dólar baixar =p
* Se o álbum for bom, claro. O último foi um tanto quanto decepcionante. Acompanho a banda desde 2002 e eles mudaram muito. O som ficou mais simples. Eles eram uma banda muito boa, com um quê noventista sem deixar-se levar pela mesmisse. Hoje o som deles tem um pouco menos de variedade e me parece soar mais comum com relação às outras bandas atuais. Até o visual acompanha, como você pode observar.

DuelJewel no CD Japan, pros mais conservadores =)

Um pouco de Duel antigo, pra quem não conhece:



terça-feira, 30 de setembro de 2008


Retrospectiva DIR EN GREY: parte 1 ~ GAUZE


O álbum novo do DIR EN GREY, "UROBOROS", está chegando aí. Então, resolvi falar um pouco sobre os álbuns anteriores a título de retrospectiva. É aquele velho papo de professor: pra entender o presente, temos que entender o passado. Álbum a álbum, vamos dar uma olhada na tragetória do quinteto de Kansai. Se fôssemos falar do BUCK-TICK, isso seria loooooooooooooongo, mas como é o DIR e estamos em 2008, vai ser de boa!

GAUZE
1999
cor
drama
aprox. 65 min.

Alguns consideram "GAUZE" a obra-prima da banda. Eu não gosto tanto dele, porque o conheci junto com os dois álbuns seguintes, que acho bem mais artisticamente pertinentes. Mas isso é assunto para adiante...

Quando o DIR EN GREY começou em 1997, musicalmente eles eram praticamente mais uma banda pós-Kuroyume (durante seu primeiro mês de vida, o DIR se chamava DEATH MASK, em alusão a uma música do Kuroyume). Quem os visse na época poderia pensar que eles eram só mais uma bandeca visual à toa. Só que, em 1998, eles venderam o segundo single, "-I'll-", tremendamente bem para uma bandeca, conseguindo aparecer em 7º lugar no ranking semanal da Oricon. Um feito raro até mesmo para os padrões atuais. O resultado foi um contrato major com a EAST WEST JAPAN, do grupo Warner. Curiosamente, cinco singles depois, eles lançaram o álbum "GAUZE" pelo selo independente FREE-WILL, onde permanecem como banda major (leia-se: "galinha dos ovos de ouro") até hoje.

DIR EN GREY, na época que se escrevia "Dir en grey"

O maior sucesso comercial do grupo foi co-produzido por YOSHIKI. Ao que parece, pelos créditos do encarte do disco, o cinco singles (metade do álbum) passaram pelas mãos do produtor, empreendedor e ditador YOSHIKI. A orquestrinha no arranjo de "Cage" não deixa dúvidas disto.

Aliás, "Cage" e outro single, "YOKAN", são duas das faixas mais prestigiadas de "GAUZE". Injustamente, eu diria. O álbum tem trabalhos mais impressivos. "raison dentre" e seu título escrito num francês semi-analfabeto dá um ar novo à musicalidade visual kei com seu toque eletrônico, a despeito do início de carreira do DIE IN CRIES. "mazohyst of decadence", embora não seja a coisa mais criativa do mundo (vide adiante), procura trabalhar com uma estrutura mais intensa, algo não muito comum no movimento. Assim como a dramática "304 GOUSHITSU, HAKUSHI NO SAKURA", "Schwein NO ISU" tem uma melodia cativante, só que trabalha com a agressividade (e de uma maneira muito bem dosada).

Shinya disse em uma entrevista que a gaze ("gauze", em inglês) era algo bonito que cobria algo feio (uma ferida). Anos mais tarde, a simbologia do nome do álbum nunca pareceu tão clara.

O mais interessante de "GAUZE" é que ele é um grande resumo do que aconteceu no visual kei até 1999. Em sua variedade, o disco não chega a mostrar tudo, mas apresenta boa parte do que havia sido desenvolvido musical e até visualmente no movimento até então. Bom... no fundo, acho que o DIR EN GREY era mais uma mistura de Kuroyume e LUNA SEA, com um maior apelo visual (o que viria a mudar). Observe o infográfico comparativo abaixo:

Clique para ampliar =)

Só que eu diria que logo em "MACABRE" (2000) eles já conseguiram desenvolver sonoridades mais originais (mais sobre isso na próxima parte do especial).

Falando em apelo visual, o do DIR era especial. Não façam piadinhas sexuais, mas todos os integrantes eram bonitos. E nessa época específica, era como se cada um tinha uma cor de cabelo determinada que o identificasse. Die: vermelho; Kaoru: rosa/roxo; Toshiya: azul; Shinya: castanho... Kyo estava com o dele tingido de vermelho/vinho, mas logo consagrou-se com o loiro intenso. As indumentárias ainda contavam com algo a mais... ou melhor, a menos. Um pouco menos de tecido. Mostravam um pouco mais o corpo dos integrantes em comparação com as roupas normalmente usadas por bandas visuais noventistas:

Não dá pra ver, mas Shinya está de saia e Kaoru ainda tinha a "opção" sem a blusa transparente por cima, revelando um tipo de "tomara que caia".

É um visual muito bem feito, na verdade. E na época tinha um impacto forte, ainda, creio. No Ocidente, certamente tinha.

Não obstante, DIR EN GREY investia ainda mais no visual via outro meio: o videoclipe. Todas as faixas de "GAUZE" ganharam um clipe num VHS/DVD. É certo que a maioria desses clipes seguiam o padrão visual kei: pouca criatividade, sendo o grande chamariz o próprio visual da banda. Mas chamar creio que a atenção para seu visual tenha sido justamente o propósito da coisa.

Apesar de tudo isso, o DIR EN GREY tomou rumos diferentes. Em vez do sucesso certo de músicas manjadas e aparência multicoloridamente (?!?!) apelativa, a banda, aos poucos, louvadamente seguiu caminhos mais ousado. É o que veremos em breve, nas resenhas dos álbuns seguintes.

GAUZE*

01. GAUZE -mode of adam-
02. Schwein NO ISU
03. YURAMEKI
04. raison dentre
05. 304 GOUSHITSU, HAKUSHI NO SAKURA
06. Cage
07. TSUMI TO BATSU
08. mazohyst of decadence
09. YOKAN
10. MASK
11. ZAN
12. AKURO NO OKA
13. GAUZE -mode of eve-

* = Romanizações/grafias de acordo com as fornecidas no site oficial em 2007 (atualmente não se encontra), a despeito do que pode ser encontrado no link fornecido.

Nota: 3,5/5,0

COMPRE!

PS: Pra quem mexe com música... Acabo de achar uma tradução para o inglês de um artigo do livro de partituras do "GAUZE". Você sabia que Kaoru alugou duas Les Pauls e uma Jaguar para gravar algumas músicas como "Schwein NO ISU"?


La'cryma Christi no Imeem.com


HIRO (gu), KOJI (gu), TAKA (vo), SHUSE (bai), LEVIN (bat)

Quando percebi que uma das poucas bandas que moram no meu coração não tinha um playlist no Imeem.com, resolvi criar um. O La'cryma merece. Afinal, é uma das melhores bandas visuais dos anos 90. Aliás, não, de todos os tempos. "Descobertos" pelos caras do LUNA SEA, o estilo deles é autêntico e muito bem trabalhado. Minhas partes favoritas são as melodias e as linhas de guitarra =)

Selecionei as seguintes músicas, dentro do limite do que já estava apado no site:

01. Mirai Kouro
Single (1998), Lhasa (1998)
Uma de boinha pra começar. Lembro que, pelo papo que eu levava com uns conhecidos há alguns anos, essa era uma música que chamava bastante anteção de quem não conhecia bem a banda.

02. Vampire Circus
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Agitadinha e muito bonita, uma das mais marcantes faixas do que considero o melhor álbum deles (e o último bom).

03. IN FOREST
Single (1998)
Gozado, o verso é muito diferente do que me lembro de ouvir no álbum. O arranjo, no geral, também. Acho que fiquei muito tempo sem escutar La'cryma. Essa já começa a agitar um pouco mais as coisas. Seguindo a lista até aqui, já dá pra sacar que a variedade dos caras era boa. Característica que hoje em dia, aparente e infelizmente, virou noventista no meio visual.

04. Ivory Trees
Single (1997), Sculpture of Time (1997)
O clima agitado continua, desta vez mais feliz.

05. Henseifuu
Sculpture of Time (1997)
Tudo muda radicalmente aqui. A balada dramática a meio tempo cria uma atmosfera tensa. Tudo muito bem construído sempre por um arranjo bem elaborado. Refrão encantador. Engraçado que a música está no "Singles Collection" (2000) apesar de nunca ter sido o lado-a de um single.

06. THE SCENT
Single (1997), Sculpture of Time (1997)
Uma rápida introdução meio caipira estadunidense (ou "country", se você preferir) leva ao estilo rápido e feliz que você já deve ter sacado que é a cara da banda. Mas não se deixe enganar, você já vai ter a chance de descobrir que o La'cryma vai além e também tem um lado mais agressivo a mostrar...

07. Lhasa (unplugged)
Single (1998)
... Mas não agora, como o título sugere =) Bem baladinha relax mesmo, mesmo com a voz aguda do TAKA.

08. Jounetsu no Kaze
Single (?), &・U (2002)
Agora a coisa muda bastante. Um som com influências hispânicas! E uma recomendação pra quem gosta de clipe com historinha. Mas não pra quem gosta de um clipe muito bem feito =p (Digamos que o forte dos caras mesmo é a música...)

09. Blossom
Single (2002), magic theatre (2000)
Esses caras nasceram fazendo música bonita! Fala sério! A ponte combinada com o refrão são demais. O solo é primoroso -- é assim que se faz, algo belo, e não com notas na velocidade da luz.

10. Eien
Single (1999)
Depois dessa, eu ousaria dizer que La'cryma Cristi, no mínimo, compete com X JAPAN para o título de banda mais romântica do visual kei (considerando que GLAY e L'Arc~en~Ciel começaram/têm alguma coisa a ver com o movimento, mas distanciaram-se rapidamente e muito do mesmo).

11. Angolmois
Sculpture of Time (1997)
Poxa, como tem música desse álbum no Imeem. Ah, bem lembrado, o La'cryma também tem um leve lado experimental. Eu diria que o início dessa música lembra algo de rock progressivo... mas só lembra, vagamente. E já estamos um pouco mais pesados aqui.

12. Sanskrit Shower
Sculpture of Time (1997)
Daquele álbum de novo... Sim, ele é muito bom mesmo. Mais uma faixa diferente, pra quem tava achando a lista muito melosa.

13. Simply Red
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Não, não tem nada a ver com a banda ocidental. Uma balada quase hard rock, sabe, porque ela tá tão calminha, só na voz e piano, daí entra guitarra e tal e o refrão dá uma pancadinha!

14. Yuki ni Natte Kieta Futai
magic theatre (2000)
E cá estamos mais uma vez com um descontraído pop rock.

15. HAVEN
DEEP SPACE SYNDICATE (2003)
Sempre me senti nas núvens ouvindo esse som... Um 'gran finale' original por ser tão singelo. Cara, tinha uma época que eu ouvia esse álbum aos sábados, quando ia pra facul de dia... Ele é maravilhoso e me faz lembrar do tempo de sol ameno daquelas manhãs =)

Faltaram:
Warm Snow
Without You <3
SHY <3
GROOVE WEAPON <3
Israel (diferentona e estranha -- interessante!)
Heart&Soul

Os caras hoje em dia...

KOJI: Foi o primeiro a sair, em meio ao início da decadência musical deles (2004). Chegou a tocar no Creature Creature e atualmente está no ALvino com o ex-PIERROT Jun.
HIRO e TAKA: Formaram uma dupla chamada Libraian. O estilo musical lembr ao velho La'cryma, mas as primeiras músicas não foram nada empolgantes. Mas eles continuam na ativa, já lançaram até um álbum... Quem sabe vale a pena ouvir...
SHUSE: Toca com yasu (Janne Da Arc) no Acid Black Cherry.
LEVIN: Toca com TOSHI (X JAPAN) no TOSHI with T-EARTH.

La'cryma Christi no CD Japan

www.lacrymachristi.jp
www.libraian.jp

segunda-feira, 29 de setembro de 2008


Entrevista no JaME: abingdon boys school e "Live Earth"


O JaME inglês acaba de publicar uma entrevista com abingdon boys school, aquela banda de rock do cantor Nishikawa Takanori (TM Revolution), umas das melhores coisas que já surgiu no rock pesado. Em um breve porém notório trecho, eles comentam sobre o "Live Earth":

JaME: No ano passado vocês tocaram no 'Live Earth', que é foi um evento para combater as mudanças climáticas. O evento ocorreu em vários lugares do mundo e foi amplamente promovido pela mídia internacional. Como foi para vocês tocar nesse evento?

Nishikawa: Honestamente, nos eventos internacionais como os de Londres ou dos EUA seus conceitos eram claros e a consciência do público era alta, então o evento foi bem mesmo que o tema fosse difícil sobre ecologia e o meio-ambiente da Terra. Contudo, o evento no Japão foi como qualquer outro evento musical.

Kishi
(tecladista): Sim. Foi só como músicos fazendo o que sabem em cima do palco um após o outro.

Japonês é que nem brasileiro, gosta de malhar o próprio país? Lembro-me de que, na época, logo depois do "Live Earth" acabar, saiu em algum jornal uma crítica de que, nos países em geral, os shows em si chamaram mais atenção do que a causa ambiental. Imagino eu, especialmente em casos como a temporária, histórica e agora irrecuperável reunião dos membros da formação consagrada do Pink Floyd.

Isso me lembra de toda a papagaiada sobre "rock ter atitude", "tal estilo de rock ter uma causa/filosofia", baboseiras desse tipo. Tudo papagaiada, óbvio. Ou é delírio adolescente, ou tática pra atrair público e aumentar vendas, mas de qualquer maneira, pura ladainha. O clima continua fodido, mas o Pink Floyd vendeu alguns milhões de discos depois daquele show no "Live Earth", por exemplo.

Felizmente, o mercado musical japonês parece imune a esse mal. Salvo uma banda ou outra -- incluindo algumas que acham que visual kei é a filosofia de vida definitiva, fruto do clímax das expressões artística e científica, o cume da produção cultural humana -- as bandas de lá parecem, no geral, defender a filosofia que considero a mais nobre no mundo da música: fazer um trabalho legal.

abingdon boys school no CD Japan

segunda-feira, 22 de setembro de 2008


DIR EN GREY - GLASS SKIN (ao vivo no Music Japan)


Depois de muito tempo, coisa de uns cinco, seis anos, DIR EN GREY apareceu novamente em um programa de TV desses que vão várias bandas tocar, com apenas o vocal sendo ao vivo, o instrumental sendo playback editado pra ficar menor. No caso, o Music Japan, do canal NHK, da última semana.

A primeira coisa que observei foi a confirmação da minha previsão. Kyo desafina logo no primeiro verso e mantém o padrão até o final do vídeo. Realmente, ele estragou sua voz, nunca mais será o mesmo, ao que parece.

Toshiya providenciou o penteado mais ridículo da música major japonesa de todos os tempos. Meus parabéns! =D

Pontos interessantes: Kyo e Kaoru vestiram-se de um jeito que lembra o DIR EN GREY de 2003, da época do "BLITZ 5DAYS", quando a banda ainda era uma banda, apenas com um provável embrião do desastre que se tornou. Mas eu diria que, logicamente, o fato dos dois usarem uma roupa que lembre uma época não quer dizer nada.

Pra quem tem tempo de sobra:



Grato ao Kaoru (usuário) pelo link!

"GLASS SKIN" no CD Japan